Episódio do dia 10/05: Kill the Boy

Em geral: O episódio faz uma escolha arriscada em focar apenas no norte e em Essos, porém conseguiu ser um dos melhores da temporada até agora. Diálogos interessantes e um ritmo melhor ajudou até as partes mais paradas. Game of Thrones continua insistindo em alguns erros, mas melhora. E não, nenhum garoto foi morto na produção desse episódio.

Abaixo análise com spoilers

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  • Mate o garoto

Na muralha, vemos Sam lendo para Aemon uma carta falando da situação de Daenerys em Meereen. Fico aqui pensando da onde veio essa carta, talvez descobriremos mais tarde.

Jon chega e Sam sai de cena. O novo comandante veio procurar conselhos com Aemon: “Deixe o garoto morrer e o homem nascer”. Jon tem que começar a tomar as decisões difíceis e parar de ter medo do “se”. Esse é um dos dilemas que vem carregando Jon por essa temporada e vai ficar mais visível a partir de agora. O garoto tem medo, o homem toma as decisões difíceis.

Então ele mata o garoto e deixa o homem fazer o que queria: Oferecer ajuda aos selvagens e pedir para que eles ajudem a Patrulha da Noite quando o inverno chegar. Obviamente, muitos ficam bem insatisfeitos, o que deixa as tensões internas da muralha ainda maiores. Inclusive algum tempo é dedicado para mostrar o quanto Olly está infeliz com a decisão, então acredito que isso é um assunto que ainda vai voltar.

  • Brienne… Quem?

Parece que as cenas de Brienne estão sendo, infelizmente, usadas para colocar mais tempo na série. O que é uma pena, sendo que em um dos episódios vimos uma conversa muito interessante entre ela e Podrick. Agora só vemos Brienne muito brava com a situação de Sansa, e só. Nesse episódio ela até faz algum movimento para entrar em contato com Sansa, mas ainda assim muito pequeno. O detalhe mais importante dessa cena mesmo é mostrar que as pessoas de Winterfell não estão nada felizes com os Bolton ali e poderiam trabalhar juntos para ajudar Sansa, mas isso também vai aparecer em outra parte desse episódio, fazendo a cena de Brienne parecer ainda mais inútil.

  • O Norte lembra…

Boa parte do foco do episódio acontece em Winterfell, então vamos lá.

Primeiro mais uma cena para nos lembrar o quão detestável Ramsay é, mais uma vez me peguei revirando os olhos. Myranda não parece ser indefesa, mas queria muito entender qual é a necessidade da série em continuar mostrando nudez, principalmente de mulheres, além de continuar colocando-as em situações péssimas, no caso, com um sádico possessivo.

Em seguida vemos Sansa na cena que poderia ter facilmente cortado a participação de Brienne. O objetivo é mostrar que alguém, pelo visto mais de um alguém, está disposto a proteger Sansa. Alguém de dentro de Winterfell que não conhecemos ainda. Uma senhora avisa Sansa do que ela precisa fazer caso esteja em perigo. Apesar de ainda ser totalmente contra o rumo que a série deu para a personagem, é até que bom saber que ela não está completamente sozinha.

Sansa e Myranda se encontram em uma conversa ingênua, porém aparentemente forçada. Myranda diz que tem algo que quer que Sansa veja: Theon, no canil, como um animal. Uma cena simples e até previsível, mas bem tensa, combinou e já era hora de Sansa descobrir que o Greyjoy estava lá. Aliás, vamos ver qual a participação de Myranda nesse núcleo, provavelmente mais uma das armas de Ramsay para aterrorizar Sansa psicologicamente.

Falando em terror psicológico, depois de tudo isso vemos uma cena em que Sansa janta com os Bolton, e jantar com os Bolton nunca acaba muito bem para os Stark. Mas não há sangue derramado dessa vez, o que não quer dizer que a seja não tenha sido incômoda.

Obviamente, Sansa está infeliz, porém ela percebe todas as alfinetadas que Ramsay vai dando nela, desde o pedido de desculpas de Theon até as gentilezas. Mas Sansa é forte e está aprendendo a jogar o jogo desde a primeira temporada.

“O lugar não é estranho, aqui é minha casa. São as pessoas que são estranhas” Fala pra eles, Sansa!

Aliás, o quão perturbador é Ramsay forçando Theon a pedir desculpas por matar os irmãos de Sansa, quando o outro assassino do irmão dela está bem na sua frente? Como se Sansa já não tivesse sofrido o suficiente. A cena é boa, o clima incômodo é bem colocado, porém o tanto que a série força para fazer Sansa passar por um abuso atrás do outro ofusca a qualidade.

Saindo um pouco de Sansa, temos uma imagem da relação entre pai e filho Bolton. Roose corta a festa de Ramsay durante o jantar, falando que sua esposa está grávida. É bastante óbvio o efeito que isso tem no bastardo, um filho homem poderia tirar tudo que ele conseguiu e Ramsay não é uma pessoa que deixaria isso acontecer.

Acho que a cena de Roose com Ramsay foi boa para mostrar mais dos dois personagens e como eles agem entre si. Roose conhece o filho que tem e sabe que, se não for controlado, pode virar um inimigo. Então Roose o agrada, contando a história de como ele nasceu (e olha só, o sadismo é de família), além de pedir sua ajuda, fazendo-o se sentir importante. Mas ao mesmo tempo mostrando quem manda, ao interromper o seu show de horrores durante o jantar. No final, Roose dá uma pista do que vai acontecer na segunda metade da temporada: Guerra com Stannis

  •  Stannis marcha

Um pouco cedo, na minha opinião, mas já que a série anda acelerada…

Stannis tem recebido bastante foco nessa temporada, quase me preocupa que isso esteja acontecendo para matá-lo mais tarde. De qualquer forma, antes de marchar, Stannis tem uma conversa interessante com Sam e o incentiva a continuar lendo.

O rei não vai esperar Jon voltar com os selvagens, então resolve marchar com todos os seus soldados, inclusive sua família, para Winterfell e tentar tomar o norte. A ideia da guerra entre os Baratheon e os Bolton está cada vez mais próxima e nós nunca chegamos a vê-la nos livros, o único personagem com ponto de vista nos livros desse núcleo é Davos, mas ele não está com Stannis nessa hora.

De novo, Shireen iluminando os episódios por ser muito fofa e por “proteger” Davos.

  • Missandei x Verme Cinzento

Como eu tinha imaginado, Barristan morre, mas Verme Cinzento vive. Ainda preferia que nenhum deles tivesse morrido, mas entendi o sentido na série, apesar de não concordar.

Não vejo nenhum mal no romance deles, acho boa a forma que foram crescendo isso nos episódios até agora. Também não consigo dizer por enquanto o quão necessário esse casal é, mas não afeta negativamente a história, então tudo bem. O que é legal de ver é como um Imaculado, que foi ensinado a não agir como um ser humano, não sentir e não ter opiniões, se desprender tanto disso ao ponto de se apaixonar.

  • Antes tarde do que nunca

No final das contas, foi mesmo a morte de Barristan que impulsionou Daenerys a fazer certas coisas que se recusava antes. Primeiro, mandou prender os mestres das famílias, mesmo um deles sendo seu aliado, e usou os dragões para intimidá-los. No começo da temporada os dragões queriam atacar Daenerys e agora a obedecem? Um pouco estranho.

Apesar de vários personagens em volta de Daenerys mostratem o quão diferente ela é do rei louco, essa temporada está revelando aos poucos que talvez isso não seja tão verdade. Assim como Aerys, Daenerys está lidando com uma luta interna que pode derrubá-la a qualquer momento. Mas simbolicamente, acho que o paralelo mais interessante até agora foi o que aconteceu nesse episódio. Aerys gostava de queimar seus inimigos, chegando a queimar pessoas por qualquer motivo. Daenerys vai mostrar seu poder para os outros da mesma forma: Queimando um deles. Não vejo em Daenerys o prazer que tantos dizem que Aerys tinha ao queimar seus inimigos, mas ao que me parece, veremos outras semelhanças na segunda metade da temporada.

Mais para o final do episódio, Daenerys finalmente pede a opinião de Missandei sobre o que deve fazer. É bom ver Daenerys decidindo agir e tomando certas decisões após ser aconselhada por uma mulher.

Daenerys vai até Hizdahr, que ainda está preso. Aqui ela finalmente cede. Daenerys percebe que se ela não começar a fazer certas coisas de que ela não gosta, não vai durar muito tempo como rainha. Então ela admite seu erro e decide abrir a arena (só para homens livres). Também vai se casar com Hizdahr e provar ao povo de Meereen que ela respeita suas tradições.

No livro, Daenerys leva mais tempo para ceder e o faz por insistência de várias pessoas ao seu redor. Ela não quer casar e segura a decisão até o final, mas acaba casando porque as coisas estão bem ruins. Até gosto do que eles fizeram na série, Daenerys é quem decide que eles vão casar. Não consigo lembrar de terem mencionado na série para ela casar com alguém de Meereen, então isso vem dela. Tudo bem que não é exatamente de livre e espontânea vontade, já que ela faz isso acreditando que vá melhorar sua situação em Meereen, mas é algo que veio dela e achei válido.

  • As desventuras de Tyrion e Jorah

Quando a cena começou, logo pensei “Ah não, mais uma conversa no barco”, mas felizmente não foi só isso.

Jorah os leva até Valyria, onde, de novo, vemos uma cena com Drogon. Apesar de já achar que estão forçando as aparições aleatórias do dragão, a cena tem um peso especial para Tyrion. O anão sempre amou histórias de dragão e elas eram um dos seus únicos refúgios durante uma infância complicada. É difícil ver Tyrion sem reação como vimos agora.

Mas felicidade nunca dura muito nessa série e bem no canto do quadro, vemos que tem alguma coisa chegando. Homens de pedra, o estágio avançado do escamagris. Não era por acaso que de repente vários episódios mencionavam a doença de Shireen, que aparentemente foi o único caso curado, ou pelo menos retardado por um tempo.

A cena de luta não é lá das melhores, mas cria tensão, principalmente quando Tyrion cai na água para fugir de um dos homens de pedra, mas é puxado por outro. O episódio poderia ter terminado ali, mas eles quiseram colocar outro gancho. Jorah salva Tyrion, todos estão bem e nenhum deles foi tocado por escamagris. Ou…

Cena típica: Personagem se afasta e revela para a câmera algo terrível. Jorah foi tocado em algum momento da luta e um pedacinho de sua pele está marcado pela doença. Ao que tudo indica, Jorah vai substituir o personagem de Jon Connington dos livros.

Por falar nisso, cadê o Varys?

  • Gelo e Fogo

Há mais duas coisas interessantes que eu quero apontar no episódio antes de terminar.

Primeiro é outra pista da teoria R+ L = J (explicada na postagem do episódio quatro). Quando Aemon está se lamentando que Daenerys está sozinha, bem no começo do episódio, Jon aparece em cena. Game of Thrones muitas vezes faz isso: Personagem A fala de Personagem B, na próxima cena vemos o Personagem B ou algo relacionado. Foi bem de leve, mas ainda assim pode ser mais um indício que Jon é um Targaryen

Outra coisa é a simbologia do Gelo e do Fogo. Jon é o gelo, sendo um bastardo Stark, na Patrulha da Noite e com todas as suas cenas sendo em lugares frios. Jon só usa preto, o ambiente ao seu redor aparecem com tons frios e azulados. Daenerys é o fogo, ela é a Targaryen com os dragões. Suas cenas sempre possuem cores mais quentes e tons alaranjados, além dela ter parado de usar azul e mudado para o branco.

O que espero do próximo episódio: A promo é bem óbvia no que veremos na semana que vem. O foco volta para Porto Real, a Rainha dos Espinhos aparece (EBA!) e ao que parece, Loras será julgado. Arya e Petyr também vão voltar. Acredito que veremos Dorne e Jaime, além de, ao que tudo indica, o próximo episódio ser o que mostrará se as piores suspeitas sobre o destino da Sansa são verdade.

Originalmente postado em Ideias em Roxo

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