Episódio do dia 17/05: Unbowed, Unbent, Unbroken

Em geral: É muito triste para os fãs de Game of Thrones verem o quanto a série caiu. Muitos já falavam isso desde o começo da quinta temporada, mas o sexto episódio provou que Game of Thrones podia sim ficar pior. O episódio tem poucas cenas interessantes e  perde muito quando as cenas “marcantes” na verdade viram momentos vazios. A gota d’água mesmo é o final do episódio, que foi uma das piores escolhas da série.

Abaixo análise com spoilers

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  • Arya é a nossa última esperança

De longe o melhor arco do episódio.

Arya finalmente entende que ninguém vai ensina-lá o que precisa fazer, se ela quer aprender como servir o deus de várias faces, ela precisa observar. No começo, ela é enganada por uma das mulheres do templo e depois não consegue mentir para Jaqen H’ghar durante o tal jogo.

A cena é bem importante para entendermos o crescimento de Arya. Ela sempre foi a garota que não gostava de vestidos e festas, ela queria lutar. Arya não abaixa a cabeça, mesmo nas vezes em que é melhor ficar quieta. Ela coloca uma armadura e uma máscara de durona desde a morte de Ned e a aceitamos dessa forma. Jaqen diz que ela mente quando diz que odeia o Cão de Caça. Arya não deixou o ódio crescer nela sem motivo, o ódio era a forma que ela tinha de lidar com a dor, de não ser “fraca”, mas ela usou isso como defesa por tanto tempo que nem ela mesma percebe o que é verdade e o que é fingimento.

Logo em seguida vemos Arya aprendendo a jogar: Ela mente para uma menina e consegue acalmá-la em seus últimos momentos, algo pouco característico da personagem. Jaqen resolve então avançar com Arya no caminho de se tornar “ninguém”.

  • As Desventuras de Tyrion e Jorah pt. 2

Depois dessa cena o episódio podia ter acabado, porque acredite, essa é o último momento que vale a pena. Jorah começa lembrando a audiência que está com escamagris e depois a série adiciona mais um drama ao personagem: Tyrion revela que o pai de Jorah está morto. As atuações foram boas, mas o acontecimento faz tanto tempo que muitos ficaram “O que? Quem é o pai dele mesmo?” e acaba perdendo um pouco da emoção.

Então eles começam a falar de Daenerys e Tyrion questiona exatamente tudo que os fãs questionam sobre ela virar rainha. Ela é tão diferente do pai assim? Como ela vai governar Westeros se nunca viveu lá? Os dragões bastam? Jorah continua acreditando em Daenerys, ele não tem mais nada a perder.

O “desventuras” tem um motivo. Jorah e Tyrion são pegos por vendedores de escravos e por pouco não se dão muito mal. Tyrion uses charm, it’s super effective. O Lannister convence os outros que o melhor negócio seria levá-los para a arena em Meereen, dando uma solução para os dois encontrarem Daenerys.

  • Mindinho dá xeque

Essa cena poderia ter sido muito melhor se o caminho para Mindinho chegar ali não tivesse tantos furos, mas vamos lá.

Petyr chega em Porto Real e sabe driblar os pardais. Então nós finalmente descobrimos o motivo dele deixar Sansa para trás: Petyr acusa Roose de ser um traidor e não avisar Cersei sobre Sansa (o que não é mentira), deixando a rainha mãe furiosa. Mindinho diz seu plano: Derrotar quem ganhar na guerra entre os Baratheon e os Bolton. Assim ele “pega” Sansa de volta e, do jeito que as coisas vão, provavelmente vai se casar com ela pra firmar sua posição como senhor do Norte.

É um bom plano, se você ignorar todo o lado egoísta, mas com furos no personagem. Ainda parece muito improvável que, como alegam os produtores, Mindinho não soubesse do sadismo de Ramsay. Entendo Mindinho apostar com a possibilidade de Stannis não matar Sansa caso vença (porque provavelmente o Baratheon não faria isso), mas fazer o personagem não saber de Ramsay? Isso vai contra tudo que o Mindinho nos mostrou durante todas essas temporadas. Nem vou comentar também o quão improvável é que Roose esconda Sansa dos Lannister.

Sugestão: Petyr deixou Sansa com Roose, prometendo a mão dela quando voltasse, mas ele só voltaria com um exército, então o casamento nunca aconteceria. Assim ele poderia culpar Roose por esconder Sansa e apostar que, por um tempo, ela estivesse segura. Que tal?

  • Dorne

O que foi essa cena em Dorne? A série conseguiu fazer um dos núcleos mais interessantes da história ficar completamente anti climático.

Jaime e Bronn entram em Dorne (que foi super fácil, por sinal) e conseguem localizar Myrcella (mais fácil ainda). Então começa uma tentativa de cena de resgate que não vira. Ao mesmo tempo, vemos Ellaria mandando as serpentes capturarem Myrcella (eles tão bem sincronizados, não?). Apesar de todas essas coincidências forçarem uma cena emocionante, o momento é vazio. Por que Myrcella não tenta fugir? Entendo Bronn conseguir segurar duas das serpentes, considerando que ele é mais experiente, mas ainda parece um pouco forçado, sendo que elas são apresentadas como grandes guerreiras. O mais forçado mesmo é Jaime conseguir segurar uma delas quando já ficou óbvio que ele não luta nada perto do que lutava antes.

A cena não é emocionante, parece boba e difícil de acreditar. No final, os guardas de Doran prendem todos, inclusive Ellaria, que por algum motivo ficou parada no mesmo lugar. Como ela não ouviu toda a movimentação?

Essa é provavelmente a última aparição das serpentes, já que no livro elas também são presas e não aparecem mais até onde sabemos. Três personagens marcantes que serviram para que propósito na série? O drama da Myrcella, que nem foi bom. Quem movimentaria o núcleo a partir de agora seria Arianne, que foi cortada, então provavelmente eles vão deixar o foco de Dorne em Jaime, o que é uma pena, considerando que esse arco ainda podia render muito.

  • A palhaçada de Porto Real

Uma das piores cenas até agora. Mais uma vez, Loras é reduzido ao “personagem gay” da série. O momento não aparece como uma crítica ao universo homofóbico de GOT, na verdade, a cena só serve como mais um motivo para a rivalidade entre Margaery e Cersei.

Entendo que os pardais são aliados da Cersei, mas eles são tão facilmente convencidos assim? Já que chegaram nesse ponto com Loras, pelo menos tentassem provar a culpa dele. Tá certo, o amante dele prova que já o viu nu por causa da tal marca na coxa (que podia ter sido vista durante um banho, mas enfim), mas daí prender a Margaery? Como?

Margaery é acusada de mentir sobre o irmão. Alguém me explica como que só uma testemunha conseguiu fazer a rainha ser presa. O pardal inclusive disse “até onde você saiba”, então mesmo Loras tendo se relacionado com homens, até onde todos sabem, Margaery não tinha como saber. Como que em Westeros a palavra de apenas uma testemunha conseguiu vencer a palavra de uma rainha?

Além de homofóbicos, os motivos foram mal colocados e pouco convincentes. No livro, Cersei usa outra acusação e ela tem mais de uma testemunha. Na série, em dois minutos, prenderam o herdeiro de Jardim de Cima e a rainha de Westeros. Sério?

  • Rainha dos Espinhos

A única coisa que parecia boa no episódio era a possibilidade de ver Olenna de novo, que nem estava nesse arco do livro, mas ver Diana Rigg é sempre bom, né? Não dessa vez.

O papel dela foi completamente descartável. Olenna tenta convencer Cersei de soltar Loras, que é apenas uma discussão rápida que Cersei consegue cortar os espinhos da rosa facilmente. Não quero dizer que Cersei não é boa jogadora, mas Olenna é conhecida por seus espinhos, acho muito difícil ela ter desistido assim. Depois disso, no julgamento, ela não consegue fazer nada pra impedir que os dois netos sejam presos. Não esperava que ela pudesse realmente fazer algo, mas se a personagem não vai fazer nada no episódio, qual a vantagem de trazê-la de volta? Ela poderia ter muito bem chegado no próximo episódio e o diálogo com a Margaery aconteceria quando a rainha já estivesse presa.

Pode ser que o intuito não seja enfraquecer Olenna e sim crescer Cersei, mas mesmo assim, não dá pra comprar a caracterização da Rainha dos Espinhos nesse episódio.

  • Você acha que tá ruim? Calma, fica pior (TW estupro)

Sansa vai casar com Ramsay e já estamos todos prendendo a respiração com o que pode acontecer. Antes de tudo, um diálogo que mostra Sansa rebatendo o terror psicológico de Myranda, dando certa força para a personagem. O que não adiantou nada considerando o que viria em seguida.

É um fato, a cena do estupro podia ser pior, mas como disse logo depois do episódio acabar: “3 é melhor que 1, mas ainda é nota vermelha”. Os produtores podiam ter sido completamente gráficos e realmente mostrar a cena como aconteceu com Jeyne no livro (nada impede que eles não façam isso mais tarde), mas focaram no rosto de Theon e nos gritos de Sansa ao fundo.

Por um lado é bom que ninguém tenha sido forçado a ver a cena, se ouvir já foi difícil, ver teria sido pior. Por outro lado, focar o estupro de Sansa no sofrimento de Theon é fazer a dor dele ser maior que a dela. Sabe aquela mania que algumas histórias têm de fazer uma mulher sofrer para mostrar os efeitos no homem? Pois é.

Como a internet é um lugar maravilhoso (sqn), todo o tipo de “desculpa” foi dada para justificar a cena. Sansa vai crescer como personagem, tinha estupro naquela época, a história é assim mesmo, precisa mostrar que Ramsay é sádico…

  1. Se você precisa fazer uma mulher ser estuprada (já não bastando todo o abuso que ela passou na série inteira) para deixá-la complexa, você não sabe escrever personagens.
  2. Tinha estupro naquela época sim, também tinha dragão, tinha magia, tinha demônio em forma de sombra pra matar os inimigos… Oh wait.
  3. O fato da história tratar de um mundo machista não significa que tá liberado cenas desse tipo, principalmente quando é uma adaptação e essa cena nem existe no original.
  4. Mad Max: A Estrada da Fúria tem como vilão um homem que abusa e usa mulheres como objetos e o filme consegue falar disso sem mostrar UMA cena de estupro.

Por que fazer a Sansa, que já passou por muita coisa, ser estuprada? Qual é o sentido? Mostrar que Ramsay é um nojento? Nós já sabemos disso. Fazer Sansa “aprender” que a vida não é conto de fada? Ela já sabe. Cortar a personagem original que passa por isso tudo bem, agora tirar o estupro em si não pode? Um arco de Sansa tomando Winterfell depois de ter aprendido e sofrido em Porto Real ficaria muito mais interessante do que o possível “Theon vai lutar contra Ramsay e salvar Sansa”. É horrível como os produtores da série foram incapazes de não conseguirem fazer esse arco funcionar sem essa cena.

  • Bowed, Bent, Broken

O nome do episódio é quase uma piada. O lema dos Martell, a família com maior representação feminina da história, é usado para um dos episódios que mais tirou o empoderamento das mulheres. Sansa já tinha superado o trauma, não precisava passar por isso. As serpentes foram uma piada, Olenna é muito mais esperta do que como foi mostrada aqui…

Game of Thrones aparentemente só sabe desenvolver as mulheres na base da misoginia. As personagens podem aparecer nuas frequentemente (Melisandre), podem ser estupradas, por mais que no original não sejam, (Cersei, Daenerys e Sansa) ou podem perder toda a caracterização (Ellaria e as serpentes).

Esse episódio foi a gota d’água para várias pessoas, vários fãs que gostavam da série e gostam da história. Até pessoas que costumam defender a série acharam que a cena foi longe demais. Porque sim, passou de todos os limites, Game of Thrones continua maltratando as mulheres, mesmo com todas as reclamações. A vontade de assistir os próximos episódios é muito pouca, parece que a polêmica do estupro da Cersei não foi o suficiente para os produtores perceberem que estão errando feio. Não dá pra defender o que fizeram nesse episódio.

O que espero no próximo episódio: Que tal parar com a violência desnecessária que acontece com as mulheres da série? Além disso, acredito que veremos a Daenerys, o que aconteceu com Jaime e Margaery em suas respectivas prisões e mais tensão em Porto Real.

Originalmente postado em Ideias em Roxo

  • Saramantis

    Ótimo review! Falou tudo que pensei e mais um pouco. Gostei de algumas cenas, mas a cena da briga em Dorne foi terrível! Parecia um filme de sessão da tarde

  • Bárbara

    Oi, gostei muito da sua análise. Eu não cheguei a ver o episódio, fiquei sabendo sobre o que aconteceu com a Sansa e fiquei com tanto ódio que larguei a série de vez. Já tinha ouvido falar da possibilidade de ela ser estuprada, mas preferi não acreditar que os produtores fariam isso… Infelizmente fizeram. A série já vinha perdendo todo o sentido para mim, com tantas personagens femininas ótimas sendo cortadas ou mudadas, mas o estupro da Sansa foi a gota d’água. Vou ficar só com os livros agora, não me importo de esperar até 2045 se precisar. Para mim é melhor nem saber o fim da história que aturar a misoginia da série.

    Desculpa o textão de desabafo. 😛

  • Elizabeth Gava

    Parei com a série também, não dá mais.
    Ao contrário de vocês, eu detestei o enredo da Arya, pulou tanta coisa legal dos livros, ficou superficial e corrido.
    A parte da Sansa: sem comentários, você já disse tudo.
    Serpentes de areia: nunca serão! A cena da luta ficou no melhor estilo trapalhões, juro que consegui ver o Didi (Renato Aragão) ao fundo! kkkk
    Enfim, que venham os Ventos de Inverno que lerei uma página a cada 30 dias pra dar tempo de esperar pelo próximo livro! =D

  • Jussara Siqueira

    Olha, cheguei no seu blog hoje li alguns textos mas tenho que comentar especificamente este aqui. Eu assisto a série e li (quase)todos os livros. Me senti muito desconfortável com a cena de estupro mas não me acho no direito de querer “censurar” cenas desse tipo. Quando você está OK com milhares de homens morrendo e sendo torturados o tempo todo na série(não são necessários dragões ou magia para isso) mas acha uma cena de estupro o “fim do mundo”, está sendo muito incoerente. Se pensa algo como “Aquela violência não existe nos dias de hoje…estupro sim” ou “são apenas homens matando homens” é porque ainda está te faltando muito da empatia que você fala.
    Todos os dias acontecem “guerras” desse tipo onde mora gente pobre e as vítimas em sua maioria são homens e parece não incomodar (assim como não incomoda na série). Muita gente discorda mas isso TAMBÉM é questão de gênero. A sociedade educa os homens para serem serem dominantes, mas quando são homens de classes mais baixas (como onde fui criada) muitos acabam recorrendo a empregos perigosos (como meu pai que é vigilante) ou ao crime. Eu já tive a ideia ridiculamente limitada de que os homens morrem mais por culpa deles mesmo. Mas hoje vejo que a questão é muito mais complexa.
    Já perdi um irmão, um amigo e vários conhecidos para a violência. E a sensação que eu tive é que a sociedade pouco se abala quando morrem pessoas pobres. E menos ainda quando são homens. Mas se comovem mais quando é um caso de violência com as mulheres.
    O que me entristeceu quando eu vi a reação das pessoas ao episódio não foi o “exagero” de quem não gostou, mas sim o fato de constatar que as pessoas agem da mesma forma no mundo real. Aceitam como normal ver um “exército” de homens morrer mas acham que o mundo deve parar quando mostra uma cena de estupro. Isso me lembrou na hora de todos os casos de violência que eu via na minha cidade e os jornais tratavam como casos de rotina.
    ” O que espero no próximo episódio: Que tal parar com a violência desnecessária que acontece com as mulheres da série? ” O que você quer dizer com isso ? Você acha que a violência com os homens pode existir livremente para servir de entretenimento para as pessoas mas APENAS as cenas de violência contra as mulheres devem ser proibidas. Eu assisto a séria (e vou continuar assistindo) porque não acredito que ela tenha poder de nos influenciar como agimos, mas se eu acreditasse eu teria parado com a sérias nos primeiros minutos. Seria totalmente hipócrita me indignar apenas com o tipo de crime que é mais possível que eu sofra.
    Não me entenda mal, não acho que devemos nos calar diante de tanta violência doméstica ou assédios diários que ocorrem todos os dias. Pelo contrário, acho que ainda é pouca a reação. Mas tente responder de maneira honesta o porque de você aceitar mais facilmente ver uma cena de exércitos sendo massacrados de maneira violenta ou o Theon sendo torturado do que as cenas de estupro. Mas sem a desonestidade de fingir que todas as cenas não tem relações culturais com a cultura que vivemos hoje.
    Desculpe pelo texto gigante, mas é que eu já tinha me segurado quando saiu o episódio e quando vi esse texto acabei sentindo tudo de novo e tive que desabafar.

    • Clarice França

      Não escrevi o texto desmerecendo nenhuma outra questão, o foco foi o estupro da Sansa por vários motivos, mas o principal deles é porque aconteceu nesse episódio. A questão toda aqui é que isso aconteceu com a Sansa porque ela era uma mulher, então é uma questão de gênero. O que aconteceu nesse episódio não foi uma coisa isolada da série, teve a Cersei, a Daenerys, várias moças estupradas ao fundo enquanto víamos uma cena da Patrulha da Noite e a própria Gilly que quase seria estuprada mais tarde nessa mesma temporada. Não é que eu estou “OK” com qualquer outro tipo de coisa, mas os homens que são mortos durante as batalhas não são mortos por serem homens, são mortos porque estão lá na guerra. Se a série colocasse homens e mulheres em seus exércitos, tratando de forma igual, e as mulheres também morressem porque estão lutando, não seria problema. Falar que eu só me importo com violência contra as mulheres quando evidencio isso é a mesma coisa que hoje, no dia internacional da mulher negra, alguém comentar “Ah mas e a mulher branca?”, ignorando que há questões específicas da mulher negra que a mulher branca não sofre, ou no caso em questão, esquecer que há coisas que a mulher sofre que o homem cis não.
      É só pensar na terceira temporada quando Brienne e Jaime foram sequestrados. Jaime apanhou e perdeu a mão enquanto Brienne foi quase estuprada exatamente por ser mulher. Também não vamos esquecer que tanto o Jaime perder a mão quanto o Theon ser torturado (e sinceramente há certas partes da tortura de Theon nos livros que acho desnecessárias) foram acontecimentos que desenvolveram os personagens deles. O problema é que há um padrão, enquanto personagens homens não precisam necessariamente passar por essas coisas para crescerem, há um número bem grande de personagens mulheres que precisam sofrer algum tipo de violência para “ficarem fortes”, então por que insistir nesse padrão?
      Ninguém falou de censurar esse tipo de assunto, é só saber lidar com ele, porque querendo ou não estupro é um assunto delicado para várias pessoas, quando você produz uma série você precisa ter em mente a mensagem que isso vai passar. Quanto ao estupro ser bem representado, aqui no blog tem um texto muito bom sobre isso: http://collantsemdecote.com/2015/07/11/conheca-o-teste-jada-o-teste-bechdel-do-estupro/ e também esse texto aqui do GOTBR http://www.gameofthronesbr.com/2015/05/por-que-desisti-de-assistir-game-of-thrones.html#ixzz3gsZtHGyX
      Juntando tudo isso com o tratamento em geral que as mulheres tiveram na série, é de se esperar que parte do público tenha uma reação ruim, a Sansa foi a gota d’água depois de cinco temporadas, sem contar que foi uma mudança grotesca em relação aos livros. Não que eu seja a favor de seguir os livros exatamente como são, mas por que tirar a Sansa de um ambiente mais ou menos seguro (digo isso porque no livro eu não considero a situação dela completamente segura, mas até o momento parece que está tudo bem) pra colocá-la no lugar de Jeyne Poole? Por que cortar Asha Greyjoy e Arianne Martell, duas mulheres empoderadas e que afetam muito a história (principalmente a Arianne), mas não cortar essa parte? Se fazia tanta questão da Sansa encontrar o Theon, podia ter feito que eles iam se casar só mais tarde, evitando essa cena, ou a Sansa ameaçando-o de alguma forma (que pode não fazer sentido pra Sansa no começo da série, mas faria sentido pra ela agora). A Sansa já foi abusada e passou por muita coisa, não tinha necessidade. E se o problema era, como os produtores alegaram, ela “ficar sem história” então tirasse ela dessa temporada como fizeram com o Bran e colocasse outro núcleo, como por exemplo as Ilhas de Ferro ou uma Dorne melhor.
      Quanto aos homens serem vítimas da sociedade, também nunca disse o contrário, não acredito que o homem cis sofra por questões de gênero, mas eles podem sofrer racismo, homofobia (que inclusive eu apontei em um dos textos), pela classe social, etc. Sempre vi uma critica, que começou sutil mas veio crescendo (principalmente com o High Sparrow), em GOT sobre essa questão dos ricos pisando nos pobres, inclusive lendo os livros (acho que acontece mais nos capítulos Arya e os que se passam em Meereen, mas faz tempo que li então posso estar enganada) alguns personagens falam exatamente disso, e confesso que gostaria de ver os últimos livros tratarem mais desse assunto (assim como espero que a série dê espaço para isso).
      E quanto a série não influenciar como agimos, discordo. Os meios de comunicação tem um poder muito forte na sociedade, seja na representatividade ou em naturalizar coisas que não deveriam ser naturalizadas. Eu entendo perfeitamente porque alguém veria essas questões todas e deixaria de assistir a série, não acho que seja hipócrita alguém parar de ver só pelo estupro ou reclamar disso e continuar acompanhando por qualquer motivo que seja, cada um sabe das suas preferências e suas questões pessoais, é possível alguém gostar de algo e problematizar essa coisa ao mesmo tempo. Mas para concluir: Não estou naturalizando violência nenhuma, mas os homens na série não sofrem o que sofrem por serem homens, e quando sofrem, na maioria das vezes, faz sentido com o personagem. As violências que acontecem contra as mulheres acontecem pelo seu e muitas vezes agregam muito pouco na personagem em si, fazendo com que seja gratuito.

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