AVISO: SPOILER forte sobre o final da série A Lenda de Korra.

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Eu venho planejando falar sobre Korra faz muito tempo. Mas sempre acabo parando porque sei que não vai ser um texto, e sim uma bíblia sobre um universo que nasceu em Avatar: O Mestre do Mar e que agora chega à seu final com o último episódio de A Lenda de Korra. Então vou me ater ao mais importante.

Ontem à tarde a timeline do facebook me contou um spoiler sobre o final de Korra. Foi daquele jeito que normalmente é: roda a página para baixo e uma imagem aparece e uma imagem é tudo que você precisa. Fiquei possessa e ao mesmo tempo muito feliz, já que era algo que eu já começava a sentir na série, mas que meu coração desesperançado não queria acreditar.

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Korra e Asami terminam juntas. E é lindo, e é perfeito e é do jeito que deveria ser.

Não sei se esse relacionamento, ou o modo como a amizade das duas evoluiria, foi algo que os criadores pensaram desde o começo. Há uma evolução entre as duas que é muito interessante e que faz o termo “sororidade” escapar nas entrelinhas. Se no começo as duas disputavam a atenção de Mako, ao longo das últimas duas temporadas essa dinâmica se desfez e deu espaço para uma amizade de verdade – daquelas que é difícil ver entre mulheres em shows de ação.

Mas Avatar não é qualquer desenho de ação. Desde a era de Aang política, militarismo, fascismo, moralismo e o papel feminino no mundo eram discutidos, e acho difícil você encontrar por aí um programa – animado ou não – que tenha um elenco tão diverso etnicamente do que os dois desenhos.

E aqui ainda falta Toph, a menina deficiente visual e chutadora de bundas mor. <3

E aqui ainda falta Toph, a menina deficiente visual e chutadora de bundas mor. <3

Aliás, personagens femininas muito bem desenvolvidas também são um ponto forte das duas séries. Em O Último Mestre do Ar Katara, Toph, Azula, Mei, Ty Lee e avatar Kyoshi são personagens femininas com escopo de personalidade que deveria fazer muito programa adulto sentir vergonha. Korra, além de personalidades muito diversas, temos também uma valorização de personagens femininas mais velhas que é difícil encontrar em qualquer tipo de mídia. Nenhuma personagem, nem a esposa de Tenzin, Pema, é diminuída – não interessa qual é o seu papel para a trama.

Esse desenvolvimento final para Korra e Asami funciona tão bem não apenas porque a narrativa é bem estruturada, mas porque é o que a gente precisa hoje. Os dois criadores da série tiveram uma coragem e uma firmeza nas decisões que pode finalmente abrir caminho para toda uma dimensão de atrações para crianças que parem de dividí-las entre garotos e garotas, entre rosa e azul, entre romance e ação, e que pare de embebedá-las num moralismo ultrapassado.

tumblr_m55xpze67w1rs30kho1_r1_500Korra foi tirada do ar durante sua terceira temporada, a Nick prejudicou o show com um corte orçamentário e com certeza sofreu muita pressão externa – e interna – desde o começo. Quantos desenhos animados de ação você vê por aí em que a protagonista é feminina e de outra etnia senão branca? Aliás, quantos shows de maneira geral você vê por aí com esse tipo de protagonismo? Mas Korra superou tudo isso.

Avatar: O Último Mestre do Ar é um dos melhores desenhos que já vi, e Aang vai para sempre ser o meu Avatar favorito, mas com aquelas últimas sequências, Korra já se tornou muito mais importante para o mundo ocidental do que qualquer outro desenho.

Que o caminho que Korra e Asami sirva de espelho e inspiração para que mais personagens como elas apareçam na programação infantil. “As crianças são o nosso futuro”, é brega, mas com esse tipo de exemplo acho que o futuro parece um pouquinho mais iluminado.

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