O processo de criar um filme é muito similar ao de criar uma HQ. Quando você está escrevendo um roteiro, quando você está pensando em enquadramentos, trabalhando luz, cor e mesmo trilha sonora, tudo que você coloca na tela (ou na página) serve um propósito: contar a história, do seu ponto de vista. Você quer que a sua visão sobre aquele tema/personagem chega aos espectadores/leitores. Tudo que está em quadro importa, e o modo como você mostra isso importa mais ainda.

Personagens femininas são hiper-sexualizadas, é um fato. Seja os uniformes minúsculos, as poses ginecológicas, a anatomia que de tão deformada chega ao ridículo, já vimos de tudo um pouco. Existem, no entanto, maneiras diferentes de isso acontecer, principalmente quando o produto que está fazendo essa sexualização é o cinema ou a televisão. Vou falar sobre dois casos bem diferentes, a Arlequina dos trailers de Esquadrão Suicida, e a Mulher-Maravilha de Batman vs Superman: A Origem da Justiça.

Quando falei sobre as mulheres em BvS, disse que me surpreendi positivamente pois a Mulher-Maravilha não estava sendo sexualizada pela câmera. É verdade que até o mais machista dos nerds sabe que seria um tiro no pé fazer um “ass-shot” da personagem ou deslizar a câmera sobre o seu corpo. Continuo achando que a MM não foi sexualizada pela câmera, mas isso não quer dizer que ela não foi sexualizada.

(Não vou usar gifs da cena da MM porque, além do filme não ter chegado legalmente na internet, eles estariam em péssima qualidade.)

A sexualização da personagem acontece, e eu sei que estou pisando em ovos aqui, com a escolha do uniforme dela. É uma ode ao uniforme mais conhecido da MM, e inclusive acho que esteticamente ele é muito bonito, porém, nada disso diminui o fato de que ele é uma escolha estúpida para uma amazona em pleno 2016. Apesar de se inspirar nas roupas usadas por gregos para a batalha lá em muitos anos A.C., Diana parece ser versada na arte da computação, mas por alguma razão estranha continua optando por um mix de biquini, saia e tomara que caia para a batalha.

Advinha quem está com o corpo mais exposto? Sim! A Mulher! o/ Ironia: Mode On.

Advinha quem está com o corpo mais exposto? Sim! A mulher! o/
Ironia: Mode On.

Mas se a câmera não desliza pelo seu corpo, qual é o problema? Em determinado momento da luta contra Doomsday Diana está com o laço amarrado em volta do monstro. A posição da personagem faz muito sentido, ela apoia as pernas, que estão abertas, numa pedra usando o seu peso para apertar com ainda mais força o laço. Como o uniforme da personagem cobre pouco mais que o extremamente necessário, ao colocar a personagem nessa posição, nos deparamos com mais uma daquelas posições ginecológicas típicas dos quadrinhos. Isso não seria um problema, por exemplo, se ela estivesse usando calças. Uma idéia louca, eu sei.

A questão aqui é: a câmera não sexualiza a personagem, mas seu uniforme sim. Porque mesmo se decidirmos ignorar o quão não prático ele é para batalha, ainda temos cenas com enquadramentos que acabam a sexualizando mesmo que não tenha sido a intenção do diretor. Batman e Superman tem o corpo completamente coberto. O Batman só está com a boca de fora! Mas Diana não, ela está de tomara que caia e micro-saia. Não é uma questão de puritanismo, é uma questão de praticidade e de ver as coisas como elas são: a Mulher-Maravilha só está de saia porque é uma personagem feminina. E porque ela é uma personagem feminina, mesmo quando ela está em batalha, contra um monstro alienígena, ela precisa estar agradável aos olhos masculinos. E não, os músculos do Batman não são a mesma coisa.

Continuando na DC, ontem saiu mais um teaser-trailer de Esquadrão Suicida. Já no último trailer tivemos um ótimo exemplo de como a intenção da câmera e do diretor são capazes de sexualizar uma personagem. Arlequina quebra uma vitrine e rouba uma bolsa. Essa cena podia ter sido filmada de um milhão de maneiras diferentes, mas escolheram colocar a bunda da personagem em destaque. Não é preciso muito para saber que os nerds machistinhas, incapazes de conter a sua punhetice pubesceste, encheram a internet de gifs e memes misóginos.

Yep.

Yep.

Evidentemente.

Evidentemente.

Eis que chega esse novo trailer e nos deparamos com mais um exemplo de como a intenção do diretor de sexualizar uma personagem chega a ser tão evidente que beira o ridículo. Não basta que todas as personagens femininas do filme, com exceção de Amanda Waller, estejam com uniformes que, em diferentes proporções, as sexualizem, o trailer traz a tão tradicional e tão babaca cena em que a câmera corre o corpo da Arlequina.

Fica aqui o meu desprezo por quem fez o gif. E colocou uma marca d'água. ¬¬ 

Fica aqui o meu desprezo por quem fez o gif. E colocou uma marca d’água. ¬¬

No caso de Arlequina não é uma questão de “mas a personagem tem esse traço de personalidade”, porque além de personagem nenhuma escolher a própria roupa, o movimento da câmera também não foi escolhido por ela, mas sim pelo diretor do filme. E ao escolher correr a câmera pelo corpo semi-nu de sua personagem, o diretor assinou o atestado de punhetice, comprometendo assim qualquer tentativa de fazer da personagem um símbolo de libertação feminina.

Ao dizer que existe esse comprometimento eu não estou dizendo que mulheres não possam se identificar e se empoderar com a personagem, é obvio que elas podem. Eu amo a Mulher-Maravilha e o que ela representa, mas isso não quer dizer que não vejo os problemas na sua construção e caracterização. Acredito inclusive que há algo de muito forte em subverter uma personagem sexualizada e tomá-la para si como representação. Mas continua evidente que a intenção do diretor não vai muito além do que diminuir uma personagem que tem tantas nuances que poderiam ser trabalhadas ao fan-service masculino.

Ou seja, Sexualização de personagens femininas acontecem em diferentes níveis e de diferentes maneiras. É um processo que vem desde a escolha do uniforme/figurino dela e vai até o modo como você posiciona a câmera e faz a montagem do filme. Suicide Squad ainda não estreou e ainda vamos ver se vai fazer jus ao hype todo ao redor dele, mas estou mais decepcionada com a maneira como, em pleno 2016, o cinema decide representar uma personagem com tanto potencial quanto a Arlequina.

  • Vinicius Caldas

    Rebeca, tem uns errinhos de nome no texto: Batman vs Superman: A origem** da justiça e Amanda Waller**, não palmer. Muito bom o texto, vou compartilhar!

    • Collant Sem Decote

      Valeu, Vinicius! Corrigido! 😉

  • Luana Ornelas

    Eu esperava mais de um filme baseado em quadrinhos e que passa no teste de bechdel…

  • Angélica Manfrim

    Coloca a Katana em exceção também por favor

    • Collant Sem Decote

      Xi, Angélica. Pior que não consigo. =
      Apesar dela estar de calça e com o corpo razoavelmente coberto, aquela barriga de fora faz zero sentido pra uma mulher com, teoricamente, treinamento Samurai.

      • Spider Man O Namorador

        Fora que nas HQs ela usa uma ARMADURA E NÃO É IGUAL A DA RED SONJA É ARMADURA MESMO

  • Victor Augusto

    No Coringa de Brian Azzarello, a Arlequina não tem fala e nem é chamada pelo nome. Extremamente objetificada e sexualizada 🙁

  • IVO ” o mar” DRAGO

    Não concordo com a parte da mm mas concordo com a parte da Arlequina…

  • Fabio Farro de Castro

    Percebam que justamente na cena criticada da Arlequina neste novo trailer aparece esse trecho da música: “…just one of your many toys”.

    • Collant Sem Decote

      Migo, parece que a música é “I’m not just one of your many toys”. Tomara que o filme siga essa premissa, e faça da Arlequina algo além, e não só o brinquedo objetificado que os trailers parecem mostrar. =

  • Tiago Origuella

    Oi Rebeca, respeito muito as ações feministas.
    Já tive uma cabeça diferente, pois todos estamos em processo de desconstrução, pois viemos de uma criação mais “machista”.
    Porém eu gostaria que tu notasse que não somente a Arlequina é sensualizada neste filme (tentando atrair o público adolescente masculino), mas também o Coringa (tentando atrair o público adolescente feminino).
    Sei que tu gostaria que a cultura atual fosse diferente, eu também, porém no tapete do Oscar as mulheres ainda usam decotes e vestidos apertados e os homens usam smokings e ternos.
    Como disse antes respeito o feminismo mas acho que o espaço da mulher na sociedade não vai ser pautado por um filme de super heróis feito para adolescentes com os hormônios a flor da pele.
    Só para finalizar, gostei muito do site, e acho importante o trabalho de levantar este tipo de discussão muito importante. Só acho que o cinema reflete a cultura, e não contrário. Pois se as pessoas não gostarem do filme o cinema se molda para agradar.

  • A Câmera do Zack Snyder sexualiza a Mulher Maravilha em vários takes da luta, não é “só” o uniforme – é um mix dos dois. e a lois lane é uma dama em perigo durante todo o longa, o relacionamento dela com o super é quase obsessivo (pela parte dele) e nós sabemos que a lois pós-crise sempre foi mostrada como uma jornalista destemida (como ela parece ser no começo do filme e logo deixa de ser pra virar uma donzela em perigo).

  • Collant Sem Decote

    Tiago, comparar a sexualização da Arlequina ao Coringa é falsa simetria. Pq não é só a Arlequina, é a Feiticeira e a Katana tb. Porque enquanto você me aponta um personagem masculino que talvez tenha tido esse design de roupa pensando nas fãs do ator, eu posso te dar uma lista infinita de personagens femininas que são sexualizadas. Jared Leto nunca vai ser filmado da mesma maneira que a Margot, nem que a Cara e nem que nenhuma outra atriz.
    Se, como você diz, o filme é direcionado à um público adolescente, então aí sim devíamos nos preocupar com o tipo de imagem feminina que ele sustenta. Porque o adolescente é ainda mais influenciável que o adulto machista, porque ele ainda está em formação. Vivemos numa sociedade em que a imagem e o audiovisual tem um peso muito grande na formação moral e pessoal de uma pessoa. Ignorar que um filme como Esquadrão Suicida passa uma mensagem negativa de feminino, diminuindo a personagem à um objeto de apreciação, e que isso pode e vai influenciar no modo como esse adolescente vê as mulheres é viver no mundo da fantasia.
    Ser direcionado à adolescentes com os tais hormônios a flor da pele não justifica, na verdade, só torna o problema ainda maior.

  • Vic Ribeiro

    *Amanda Waller.

    Vamos ver se vocês concordam comigo. Não acho certo vocês terem dito isso da Arlequina. Ela é sexualizada? Sim. Hyper-sexualizada? Com certeza. Mas é isso que ela representa! Eles não poderiam simplesmente colocar a Arlequina de calça e casaco o filme todo, porque não é assim que ela é. A personalidade dela é provocante e sexy, e é assim que ela precisa ser. Não tratem isso como algum ruim. Sexualização em personagens femininas é ruim, mas não nesse caso. É extremamente proposital. A Arlequina sempre foi assim, e vai continuar sendo.
    Agora sobre a MM. Além de um símbolo feminista, ela é um símbolo na cultura pop. Não acho que poderiam ter mudado o traje dela – ou pelo menos adaptado – sem gerar polêmica entre os fãs. Não que eles estejam certos, porque a roupa dela é realmente curta. Mas a personagem é assim. E mesmo eu concordando com a opinião de vocês quando a ela, acho que exageraram um pouco. A roupa dela é levemente curta, não ridiculamente curta.

  • MS

    Pelo menos são valorizadas no filmes, pior é a Viuva Negra e a Feiticeira Escarlete que não nunca são valorizadas no filmes e servem apenas para romance e acalmar o Hulk.

  • Kleber de Souza

    Olha. Você pode até me achar machista ou seja o que for, mas sou apenas fã de quadrinhos e consequentemente filmes derivados deles.
    As roupas MM são roupas de Amazonas. Zack fez o mesmo trabalho de figurino “epico” (ou similar) com o Leônidas de 300, veja a roupa dos Espartanos, são mais curtas que a de suas esposas por sinal. A cena que vc se refere dela foi exatamente igual ao q está na HQ, não há porque mudala. Vc mesma fala que a MM não foi sensualizada e sabemos que não, MM veio justamente para colocar uma imagem forte feminina em um universo de heróis homens.
    No homem de aço há várias cenas do SH sem camisa, e no BxS tem um Batman malhando só por fã service. Só pra citar tambem um exemplo.
    A Arlequina é uma personagem psicótica e que usa da sensualidade, não há como retrata-la de forma diferente. Ela não escolheu suas vestes nem sua personalidade. Mas veja em quem ela é inspirada, e além de ser par do Coringa.
    Existem vários filmes e séries e jogos que utilizam a imagem feminina que você poderia sitar. Essas duas não me pareceram nada coerentes. Desculpe por pensar diferente de você(s).

  • Amadeus Alves Macedo

    Eu não acho que o traje colado do Batman ou do Superman ajudem na batalha não, na verdade um traje de luta tem que ser bem solto (veja os kimonos ou shorts de mma), a sexualização acontece com todos os personagens, o Homem Aranha não usa casaco, calça larga e é gordo, ele é um cara hiper-musculoso que vive pulando todo aberto de prédio em prédio; o Conan não é um cara barrigudo com uma armadura over power, é um Leo Stronda com sunga de texugo. Passei a minha infância vendo personagens masculinos representando algo fora da realidade, caras bizarramente musculosos com roupas incrivelmente apertadas que pareciam mais pintura corporal, mas nunca achei um problema, achava foda, achava poderoso. Acho que o problema é o conceito por trás do personagem, acho que a Mulher Maravilha é uma personagem forte que não perde nada pra o Batman ou o Superman, acho isso bacana, o problema seria ela ser hiper-sexualizada e fosse colocada ainda como vitima, sendo salva pelo outros dois marmanjos, ela é hiper-sexualizada e se vir algum cara com gracinha tenho certeza que ela quebra ele até dizer chega, se a roupa dela fosse colada assim como os outros dois, aposto que fariam o mesmo post reclamando, acredite. A sexualização acontece porque os quadrinhos são muito inspirados pela mitologia, onde os heróis eram hiper-sexualizados, era como um símbolo de poder, vide as estatuas e gravuras. Se é pra falar de hiper-sexualização, deveria abordar o tema em geral e não voltar só para o lado feminino, existe uma hiper-sexualização masculina (talvez até maior do que a feminina, por exemplo Dragon Ball Z, é um anime só com macho sem camisa estourado de bomba, nunca vi ninguém chorando pra reclamar disso) em qualquer quadrinho de herói, acho que o certo era fazerem mais personagens heróis com aspecto mais humano, tanto mulher quanto homem.

  • David Wolf

    Eu vi gente falando que dá para comparar a sexualização da Arlequina com a do Coringa, mas me desculpe gente, eu sou gay, adoro homens, amo de paixão a aparência do Jared Leto, mas se eu visse um cara igual o Coringa passando na rua a única coisa que faria seria sair correndo, não iria achar ele sensual, nem sexy, nem bonito, muito menos agradável, a personagem tem mó cara de pirada(apesar da Arlequina também possuir essa expressão, podem ver como a dela é bem mais sexy ¬¬), não penso que comparar o dois seria sensato ou mesmo correto, Jared Leto não ta bonito nesse filme, e o seu figuro não foi feito para atrair nem es fãs dele, nem qualquer garota/o adolescente por ai. :/

  • Maria Teresa Camargo

    Concordo em relação a Arlequina, porém queria fazer uma ressalva em relação a Mulher Maravilha, sim a saia dela é curta mas está sendo extremamente fiel as antigas armaduras de batalha da Grécia antiga. Ela pode estar usando menos proteção que o Batman e o Superman, porém ela está usando a mesma armadura que um guerreiro espartano usava, ela foi treinada por dois mil anos usando esse estilo de armadura, para mim não faz sentido mudar isso é colocar uma calça super colada nela, que para mim da o mesmo enfoque de sexualidade e é a única vestimenta que daria quase a mesma facilidade de movimentos. E acima de tudo temos que pensar que ela representa uma guerreira grega, quando olhamos para ela temos que lembrar que ela é uma Amazona, e sinceramente se colocassem uma calça nela, em nenhum momento iríamos ligar ela a cultura dela. Do mesmo jeito que gostaria que a Katana vestisse algo que remete a um yoroi afinal ela é uma samurai, é importante retratar uma guerreira grega vestindo uma armadura grega.
    Desculpa pelo textao, acima de tudo gostaria de dizer que respeito sua opiniao.

  • Maria José Tagarro

    É o que comentei com a minha amiga sobre esse trailer do Esquadrão Suicida. Arlequina sexualizada por que os nerds machistas adoram isso! Aliás, a Mulher-Maravilha também é uma das minhas heroínas favoritas, assim como a Canário Negro e todas são sexualizadas. Tem que ficar mostrando peito e bunda o tempo todo, com roupas mínimas, enquanto os caras estão cobertos da cabeça aos pés. Não vou deixar de gostar dos personagens que amo desde a infância, mas é chato demais isso.

  • Alexander Brito

    Você acha que deveria haver uma CENSURA da expressão artística? Porque essas são marcas privadas pertencentes a uma corporação que visa o lucro. A DC Comics/Warner Bros. não são de nenhum governo e elas não tem responsabilidade educacional alguma.

  • Amanda

    Muito legal o texto. O que mais me incomodou nesses trailers é que a sexualização da Harley não vem dela, mas é percebida somente pelos outros, sejam personagens ou espectadores. Ela não parece ter a mínima noção de que é sexual. Por exemplo, nas cenas que ela se abaixa na frente da vitrine e na que ela está se vestindo, ela não parece saber que está “sensualizando”. Como se ela fosse uma criancinha ingênua que não percebe que está “provocando os caras”.

    Só para fazer uma comparação: a mulher-gato do Tim Burton era extremamente sensual, mas não era objetificada. Ela tinha plena consciência de que era sedutora e possuia controle sobre isso. Ela era uma mulher adulta dona da sua própria sexualidade. Eu sei que são personagens diferentes e realmente a Harley é pra ser meio infantil mesmo, mas é justamente por isso que esse tipo de olhar é perigoso. Esse estereótipo da lolita inocente extremamente sexy é muito nojento.

    Enfim, é uma pena porque, fora essas questões, o filme parece ser legal. Acho difícil, mas espero que, dentro do contexto do filme, essas cenas façam mais sentido.

  • Collant Sem Decote

    Beleza, ela é uma guerreira grega. Mas existem maneiras de fazer isso e proteger o corpo dela. O Batman é baseado em morcego, mas não tem asas, tem uma capa. Adaptar o design dos uniformes ao significado dos heróis não é tão difícil assim pra quem trabalha com esse tipo de coisa.
    E, como eu disse no texto, sim. É baseado nos guerreiros gregos, mas não estamos mais naquela época. Atualizar o uniforme dela para algo mais coerente e que tenha maior proteção faz mais sentido do que deixá-la lutando de mini saia. E se é pra ser coerente com os uniformes gregos, então tá faltando pano nesse saiote.

  • Collant Sem Decote

    Vou te deixar aqui o link pro FAQ Nerd Feminista, onde tem a explicação sobre a diferença entre sexualização de personagens femininas e hiper-masculinizar personagens masculinos.

    http://www.collantsemdecote.com/f-a-q-nerd-feminista-posso-ajudar

  • Collant Sem Decote

    É engraçado, pq a representação padrão da mulher nos quadrinhos é a sexualizada. Aí a gente chega e fala “Mas gente, olha todos esses tipos de mulheres que existem, porque vocês precisam focar numa mulher idealizada, irreal e porque precisam objetificá-la no processo?” Aí vocês gritam CENSURA, quando a gente só tá é dando mais opções mesmo.

  • Collant Sem Decote

    Kleber, justificar a sexualização da Arlequina por causa da sua instabilidade emocional é bem zoado. Há muitas maneiras de representá-la, talvez você só veja uma porque ela é a mais utilizada.
    Sobre a MM, é como eu disse no texto, a câmera não a sexualiza, mas a opção do figurino sim. Pq se a simetria existisse, batman e superman estariam de shortinho e regata, e não é o caso.
    E sobre o batman levantando peso, te deixo o link e um trecho do nosso FAQ Nerd Feminista que explica essa questão:

    O que o traço dos super-heróis vendem não e sexo, é masculinidade e tem como consumidor final o leitor homem, não a leitora. É uma masculinidade exacerbada, o macho-alfa, que limita o leitor e o herói à uma carapuça apática, carrega de machismo um personagem que deveria representar algo maior. Esses personagens são comumente representados com quase total apatia de sentimentos – o homem forte é o homem que não sente, não quebra. Se ele apresenta algum tipo de sentimento ele é geralmente auto-indulgente, como o sofrimento por um dever não cumprido (salvar a mulher que ama), culpa por algo que estava fora do seu alcance (o assassinato dos pais) ou as dificuldades de ser um super-herói (mesmo ele sendo branco, hetero, cis e rico).

    É nesse tipo de representação que o machismo atinge o fã masculino, um leitor que desde muito novo aprende que ser homem tem a ver com força física, violência e músculos. Esse tipo de conceito afeta o receptor nerd, que muitas vezes passa longe desse estereótipo, com um baque, criando um sujeito inseguro e ao mesmo tempo autoritário, que por mais que queira, não consegue se conectar com outras representações que não essa do macho. Ele também passa a ver mulheres como seres frágeis (já que elas são constantemente diminuídas para dar espaço ao herói masculino), sexualizados, menores e que existem apenas para servi-los (um exemplo disso é a criação da tal friendzone).

    http://www.collantsemdecote.com/f-a-q-nerd-feminista-posso-ajudar

  • Collant Sem Decote

    Então, Vic. Algumas questões.

    A Arlequina não “sempre foi assim”. Ela nasceu no desenho do Batman da década de 90, usando uma malha que a cobria o corpo todo e que, IMAGINE SO, lembrava a roupa de Arlequim. Louco né. Além disso ela era uma psicóloga que se apaixonava e decidia se tornar parceira do Coringa.
    A sexualização veio no começo dos anos 2000. Recentemente ela passou por uma reviravolta, se empoderou e deu um chega pra lá definitivo no Coringa. Parece que o jogo virou.

    Sobre questão do traje da MM não poder ser mudado: Tô esperando a polícia de uniforme reclamando que o Superman não usa mais cueca por cima da calça. E, colega, dá pra ver a coxa inteira dela. E quando ela cai no chão dá pra ver a calcinha dela. Me diz se isso não é curto? A saia existe pra proteger só a vagina e olhe lá.

    E uma dica: Sim, o texto ficou com o erro pq a atualização da página não foi. Mas quando você for corrigir alguém, tente não começar com um *Correção, só um “Tem um erro aqui: Correção” é bem mais de boa.

  • Collant Sem Decote

    Cara, se o público alvo, de acordo contigo, é o adolescente, então o problema é pior ainda.
    Primeiro: O Coringa sem camisa e a Arlequina lambendo a grade não é a mesma coisa. Se você quiser, expliquei direitinho isso no twitter hoje, mais cedo. É @collantsdecote.
    As mulheres usam decote no Oscar porque elas querem. Tem pouco a ver com o que uma personagem ficcional usa. Te aconselho a ler esse texto:

    É difícil ver que você diz que os adolescentes tem hormônios à flor da pele mas ao mesmo tempo parece ignorar que esses mesmos adolescentes são altamente influenciáveis. A Cutlura Pop tá repleta de mulheres sexualizadas, é praticamente a única representação existente, é por isso que tanto se fala quando algo diferente surge. Então você, adolescente cheio de hormônio, só vê esse tipo de mulher irreal, idealizada e objetificada nos produtos que você consome. O que você acha que fica na cabeça dele? Pq a gente vive numa sociedade ditada pela imagem e pelo audiovisual, esses dois elementos são importantes na formação moral e pessoal de qualquer pessoa, inclusive desse adolescente que vai ver cenas de estupro romantizadas, de mulheres objetificadas e vai achar que é normal.
    Não da pra achar que cada pessoa vive dentro de uma redoma em que nada do que você vê não te influencia.

  • Jeniffer Karine

    Só discordo que a câmera de BvS não sexualizou a Diana. Tem uma cena no terceiro ato que ela cai no chão e a câmera foca no meio das pernas dela, numa tomada extremamente sexista (típico dos filmes de Zack Snyder, vide Sucker Punch). [deve ter um gif disso por aí]
    Fora isso excelente texto.
    Da pra observar também o sexismo quando comparamos as duas canários de Arrow (Sarah e Laurel). Enquanto que a primeira tinha como uniforme um tomara-que-caia com decote sem sentido para uma vigilante, Laurel (aka Black Canary) tinha um uniforme totalmente coerente, exatamente no estilo dos outros justiceiros.

  • Marine

    Eu também acho que mesmo que ela estivesse de calça ainda haveria um jeito de sexualiza-la já que afinal de contas ela é mulher e, portanto, nessa sociedade sempre buscarão uma forma de objetifica-la. Tenho a ligeira impressão que, no caso da Mulher Maravilha (que felizmente não teve
    seu corpo explorado pelas câmeras), “cobrir” a personagem não é a melhor forma de combater a sexualização. Seria uma forma de atribuir a roupa a culpa pela maneira como a sociedade se relaciona com corpo feminino em pró da libido masculina e, indiretamente, dar respaldo a ideias que afirmam
    que as mulheres ao usarem certos tipos de roupas “se objetificam”. Colocar mais roupa nela não vai fazer com que os homens parem de trata-la como um objeto sexual, a maneira como a personagem é retratada sim. Bom, essa é a impressão que eu tenho, posso estar equivocada rs.

    • Rebeca Puig

      Oi Marine!
      A questão com a roupa da MM é de praticidade. A sexualização vem porque a roupa é curta apenas porque ela é mulher, ignorando o fato de que num campo de batalha ela só atrapalharia ao invés de ajudar.
      Homens vão objetificar mulheres de burca, isso é um fato. Mas com a MM é mais uma questão da origem dessa necessidade de mantê-la de roupa curta, não é uma questão de tamanho, mas sim do momento onde ela está sendo usada.

  • Nathalia

    Adorei o texto! desculpe meu perfeccionismo (é mais forte do que eu), mas só queria dizer que a palavra “exceção” está escrita incorretamente! Mas de qualquer maneira, adoro quando as pessoas conseguem enxergar nas entrelinhas, coisa que não é pra qualquer um, infelizmente!

    • Rebeca Puig

      Ei Nathalia! Obrigada pelo toque, vou corrigir! 😉

  • Ingred Rose

    TODOS OS PERSONAGENS SÃO SEXUALIZADOS, EM FILMES E HQS. NÃO SE LEMBRA DO THOR TIRANDO A CAMISA? OU o PRÓPRIO UNIFORME DO BATMAN E DO SUPERMAN, QUE SEM DUVIDA PASSAM PELO MESMO PROCESSO… O CLARK SEM CAMISA FAZENDO OVOS?

    O UNIFORME ANTIGO DA HARLEY COBRIA SIM O CORPO TODO, MAS MOLDAVA TODO ELE. NÃO DEIXAVA DE SER UM GRANDE apêlo SEXUAL, ALGO BEM COMUM NAS HQS. ESSE FILME FOI BASEADO NAS HQS PÓS REBOOT ONDE Harley USA ROUPAS MÍNIMAS. ACHO HIPOCRISIA FALAR SÓ DAS PERSONAGENS femininas. ALÉM DISSO, NÃO SÃO SÓ OS HOMENS QUE GOSTAM DE VÊ-LAS NESSAS ROUPAS. A PERSONAGEM TA FIEL EM PERSONALIDADE, MAS TÊM COISAS QUE NUNCA IRÃO MUDAR: QUEREM ATINGIR TODOS OS PÚBLICOS. IGUALMENTE AO QUE A MARVEL FEZ COM A VIÚVA NEGRA. É UMA CULTURA QUE VEM DA HQ PRAS TELINHAS, NÃO VEJO COMO ALGO DE OUTRO MUNDO. NÃO fecho OS OLHOS PARA O QUE isso REPRESENTA, MAS não me iludo que seja focado só no sexo feminino.

    • Rebeca Puig

      Oi Ingred! Na verdade, o que os músculos dos super-heróis vendem não é sexo, é hiper-masculinidade. E esse tipo de representação afeta tanto mulheres quanto os homens também. O nosso FAQ Nerd Feminista explica isso direitinho, vou deixar o link aqui pra ti!

      E sim, como eu mesma disse no texto sobre Batman v Superman, o Clark sem camisa está lá, mas o modo como ele é filmado é bem diferente do modo como a Arlequina vem sendo mostrada nos trailers. A mesma coisa com o Thor, que é o principal female gaze da Marvel. A câmera não dá close na virilha deles, eles não aparecem lambendo a grade… Entende? Particularmente eu não acho que sexualizar personagem masculino é a resposta para a sexualização da personagem feminina, mas mesmo quando ela acontece o modo com que ela acontece é diferente.

      FAQ NERD FEMINISTA: http://www.collantsemdecote.com/f-a-q-nerd-feminista-posso-ajudar

  • robson

    mas quando pareceu que alguém tinha a intenção de fazer da arlequina uma personagem símbolo de libertação femininA?
    o seu texto é muito bom e eu concordo que a roupa da mm podia ter incluído uma calça (o que existe nas hqs, e convenhamos seria muito mais plausível), mas no caso da arlequina, ela é isso aí mesmo. nunca foi um simbolo de nada além de fan-service.
    eu concordo que é legal procurar se identificar com o personagem de um filme ou hq, mas na maior parte do tempo tem que ser levado como diversão pura e simples… e quando vc for procurar um modelo a seguir, procure algum modelo que valha a pena (e pelamordedeus, nunca escolham arlequina como modelo pra nada! ela é submissa e inconsequente)

    • Rebeca Puig

      Oi Robson!
      Eu não sei se você acompanha a história da Arlequina, mas recentemente a personagem se tornou sim um símbolo de empoderamento através da superação do seu relacionamento abusivo com o Coringa. Muitas mulheres viram nessa transformação a força para fazer o mesmo. Ela me parece a personagem ideal, na verdade, para esse tipo de discussão sobre violência contra a mulher. 😉

  • Matheus

    David Ayer é um ótimo diretor. Ele sabe aprofundar personagens e fazer eles interagirem entre si (um exemplo disso é Fury). Eu acredito que dentro do subtexto do roteiro exista uma justificativa pra Arlequina ser do jeito que é. Temos que lembrar que a personagem dela é fruto de um relacionamento abusivo com o Coringa, ninguém simplesmente se torna uma garotinha psicopata com traços erotizados.

    Já no caso do Zack Snyder em BvS, eu concordo e discordo de você em diversos pontos. A mulher maravilha não se limita apenas ao seu vestuário no filme. Ela é foda pelas atitudes dela, não pelas vestimentas e Querer colocar ela de calças não funcionaria (já tentaram isso nos quadrinhos). Mas realmente, botar ela num salto não faz o menor sentido, é puro fetiche do Snyder. Pelo menos a Gal Gadot tem um físico mais perto da realidade que conhecemos. apesar de ser extremamente magra, não tem peitão nem bundão exageradamente desproporcionais. Nesse caso, ponto pro casting.

    • Rebeca Puig

      Matheus, não é uma questão da qualidade direcional do Ayer. E não acho que exista um subtexto no roteiro que pudesse justificar o diretor tomar a decisão de deslizar a câmera pelo corpo da atriz daquela forma, pq isso é o olhar dele, não da personagem. A personagem pode ser brincalhona e sexual de diversas maneiras, o humor dessa cena podia ter sido feito com as roupas dela caindo no chão e a reação dos homens em volta. Funcionaria igual, e eliminaria a sexualização desnecessária e que não diz nada sobre a personagem, e sim sobre o diretor e o tipo de público que ele quer incluir e excluir.

      Em momento nenhum eu disse que elas se limita pelas vestimentas dela, muito menos desconsidero a personagem por causa da roupa que ela usa. Escrevi sobre como gostei da participação dela em um outro texto aqui no site. Acho engraçado quando dizem “não funcionaria”. Não funcionaria porque não agradaria o público machistinha, porque faria muito mais sentido do que ela lutar de mini-saia e tomara que caia. Superman não usa mais a cueca pra fora da calça e ninguém está reclamando. É uma questão de adaptar designs, só isso.

      Quanto a Gal, eu adorei ela como MM, mas ela tá bem longe de ter um físico perto da nossa realidade. Ela é linda, magra, ficou forte para o papel mas ela é absolutamente dentro de um padrão que é inatingível pela maioria das pessoas.

  • Lívia

    ACHO QUE O FILME NAO PASSA NO TESTE. SEU EU NAO ME ENGANO, FALTOU UM ITEM: UM DIALOGO ENTRE DUAS MULHERES, ONDE NAO ESTEJAM FALANDO SOBRE UM HOMEM.

  • A música é You Don’t Own Me da Lesley Gore. Entendi o sentido da música, só estranhei a sincronia entre esse trecho e a cena. Até porque o trecho I’m not…” aparece antes dessa cena começar.

  • Collant Sem Decote

    Oi Isabel, eu queria pedir desculpas pelo meu texto ter te incomodado tanto. Essa realmente não era a minha intenção.
    Se você me permitir, vou só deixar algumas coisas um pouco mais evidentes.
    Não é intenção do texto, em momento nenhum, culpar a personagem. A Arlequina, e a MM, é uma personagem feminina ficcional, o que tira dela o real poder sobre as suas decisões, a questão em jogo sempre é o modo como ela é representada. Infelizmente, nos trailers do filme, a representação deixa muito à desejar.
    O que está em jogo quando falamos sobre os uniformes das super-heroínas é a praticidade da roupa. Porque personagens masculinos estão na imensa maioria das vezes completamente vestidos, e as personagens femininas é o exato oposto. Isso é consequência do modo machista com que a nossa sociedade vê a mulher como algo que precisa ser agradável ao olhar machista masculino. É esse mesmo modo que fazia com que meninas adolescentes que fugiam do padrão aceitável pela sociedade se sintam deslocadas e não adequadas. Porque a gente cobre toda a nossa produção cultura, e é isso que quadrinhos e cinema de ação são, com mulheres magras, dentro dos padrões, sexualizadas e que são tratadas como objeto.
    A Arlequina é muito mais do que um objeto, e é por isso que essa câmera a sexualizando é desagradável. Porque ela não busca empedrar mulher nenhuma, ela busca agradar o olhar masculino e, de quebra, faz milhares de meninas se sentirem inadequadas.
    Eu disse no texto, mas vou tentar deixar mais claro aqui: o problema nunca é a menina que faz o cosplay. Assim como nunca é a menina fora dos padrões que coloca um shorts. Assim como nunca é a menina que decide não mostrar o corpo por vergonha. A culpa é do nosso sistema e dos responsáveis por vitimá-las.
    Quando uma menina, dentro ou fora dos padrões, usa a Arlequina ou qualquer outra personagem como sinal de empoderamento, quando ela se identifica nela e dalí tira a força de vontade para se enxergar de outra maneira é maravilhoso. Porque além dessa menina estar encontrando aceitação nela mesma, ela também está subvertendo um símbolo que deveria fazê-la se sentir inadequada.
    É ótimo que você tenha tirado de personagens femininas esse empoderamento, mesmo. Mas muitas meninas e mulheres ainda não estão lá. E ainda vêem em personagens tão dentro dos padrões quanto Arlequina e Zatana um ideal que nunca será alcançado, um ideal que é inalcançavel. E isso faz delas inadequadas.
    Mas principalmente, não é sobre vulgar. Porque em momento nenhum no texto eu coloquei a moral das personagens em questionamento, muito pelo contrário, eu deixei clara a minha insatisfação com o modo com que elas são representadas exatamente porque são muito mais do que a sexualização que fazem delas. Vulgar é a palavra que o tio machista diz pra sobrinha que usa o shorts curto, ele está julgando ela pelo olhar machista dele. O que está em questionamento no texto é a decisão de colocar as personagens nesses uniformes específicos, que são eye candy para homens, e absolutamente não-práticos para o que elas fazem: chutar bundas intergaláticas.
    Eu acho o design dos dois uniformes muito divertidos, e sei que nos quadrinhos o uniforme da Arlequina tem a ver com Roller Derby e lá talvez faça sentido, mas nesse filme, com o modo com que ela foi apresentada até agora, me parece única e exclusivamente para que os caras gostem.
    De novo, eu sinto muito que o meu texto te deixou desconfortável ou chateada. Não foi a minha intenção.

  • Olha. Parabéns pelo texto. Poucas vezes li uma opinião tão coerente e madura acerca deste tema, a maioria das pessoas abranda demais, relativiza demais ou acaba sendo muito extremista (o que não foi o caso). Concordo em tudo, acredito que existam outras formas de tornar estas personagens atraentes e cativantes para o público mas a maioria dos diretores/roteiristas acaba apelando para a solução fácil (Dois bons exemplos para mim sobre como pode ser diferente vem dos seriados Jessica Jones e Agente Carter). Enfim, muito bom texto…

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