Eu ainda não assisti Boxtrolls, eu nunca tive a intenção de assistir, para falar a verdade. Este post é um TW gigante, uma maneira de informar que lê o blog de uma discussão acerca de um filme que eu ainda não assisti.

Mas essa semana eu caí em algumas matérias falando sobre o filme ser ou não transfóbico e misógino. Vi alguns relatos que realmente me chatearam, e acho que vale comentar um pouco sobre como um filme pode fazer mal.

Quando assisti Como Treinar Seu Dragão 2, entrei no cinema ansiosíssima. O primeiro filme é um dos meus favoritos, e acho que ele realmente faz um favor imenso ao educar crianças. Minhas expectativas estavam no teto, e elas foram assassinadas assim que o filme começou. Eu falei sobre isso num Colant Sem Decotes.

Em determinado momento do filme eu chorei por causa da morte de um personagem, mas o choro permaneceu pela raiva que eu já estava sentindo. Saí do filme brava e decepcionada.

Passando pelas matérias sobre Boxtrolls, me dei conta que algumas pessoas se sentiram da mesma maneira. Cultivar estereótipos negativos é ruim e pode destruir as boas intenções do seu filme, eu acabei de escrever sobre isso. Além de ofender uma parcela inteira da população, você também educa erroneamente a outra, no caso de Boxtroll essa parcela são crianças, altamente sujeitas à aceitar aquilo que a tela lhes mostra.

A Laika, produtora do filme, tem um histórico positivo de representação LGBT. No seu último filme, Paranorman, nós tivemos um dos primeiros personagens homossexuais dos filmes infantis. Foi simples, foi sem alarde, e estava lá. Boxtroll tem um casal homosexual também, aparentemente eles são os pais do menino principal. Isso tudo é muito legal, mas o fato do filme estar sendo acusado de transmisoginia nos faz perceber que transfobia é algo que ainda precisa ser melhor discutido. Se homossexuais são uma minoria, pessoas trans são ainda mais marginalizadas e discriminadas. É preciso tomar cuidado para não transformar personagens e situações cômicas em transfóbicas.

Eu sou cis, então por mais que eu forme uma opinião sobre isso, vale lembrar que existem opiniões mais assertivas e mais importantes que a minha neste quesito. Assim como no racismo a pessoa melhor equipada para falar sobre uma atitude racista é o oprimido, na transfobia acontece a mesma coisa. O link abaixo direciona para um texto escrito por uma pessoa trans sobre a transmisoginia do filme. Infelizmente o texto está em inglês.

Boxtroll is transmisogynist.

Aqui tem uma versão Google Tradutor do texto.

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