Esse texto não tem spoilers!

No dia 28 de fevereiro, a Guerrilla Games lançou uma nova franquia: Horizon Zero Dawn. Desde que o jogo foi anunciado, o ambiente e as criaturas diferentes chamaram bastante a atenção do público gamer. Eu estava na pilha para esse jogo há algum tempo e aproveitei o carnaval caçando robôs gigantes. Então vamos falar desse jogo que acabei de conhecer e já curto pacas.

Horizon Zero Dawn é um RPG de ação que conta a história de Aloy, uma moça exilada da tribo Nora. Rost, outro exilado, cuidou dela a vida inteira e a treinou para o teste da tribo. Caso Aloy consiga passar no teste, ela não será mais exilada, poderá viver com todos os outros Nora e finalmente será aceita. Mas né, estamos falando de um jogo, então obviamente nada é tão simples quanto passar no teste. Aloy vai descobrindo aos poucos que faz parte de algo muito maior.

Um dos grandes pontos positivos do jogo é a própria Aloy. Nós estamos sempre pedindo por mulheres protagonistas bem construídas e Horizon tem uma que é maravilhosa. Vemos a vida de Aloy desde que ela era criança, sua relação com Rost e como ela pensa. O jogo não precisa de grandes momentos de exposição para explicar aspectos da protagonista, a partir dos diálogos e do andar da trama, percebemos como Aloy se relaciona com aquele mundo, com os costumes dos Nora e suas opiniões. Há sim a possibilidade do jogador escolher certas reações, mas parte de sua personalidade não dá para mudar. Vemos Aloy crescendo, enfrentando obstáculos e nos conectamos com ela, queremos que ela vença seus desafios.

Outro destaque é a história. Por mais que o jogo tenha um mundo aberto com várias missões secundárias, Horizon tem uma série de missões principais que, aos poucos, vão revelando a história central do jogo. Nesse ponto, o roteiro é bem redondinho e vai aos poucos transformando algo que era simplesmente “passar por um teste” em outra coisa muito maior, característico de histórias que querem passar esse ar épico. A trama vai te envolvendo de uma forma que, por mais que você tenha um mundo tão grande para explorar, você não quer parar a história central. Queremos saber o que está acontecendo, ver os segredos serem revelados e Horizon de fato responde todas as perguntas que levanta. A história trata de vários temas, ao mesmo tempo em que dá foco para o crescimento de Aloy, ele também abre espaço para criar discussões interessantes sobre tecnologia, a humanidade e a importância de ter acesso a informação.

Há missões secundárias e elas são divertidas de fazer, mas elas não são tão cativantes nem tão interessantes quanto as missões principais, o que não necessariamente atrapalhe, mas normalmente o jogo de mundo aberto quer que o jogador também faça outras coisas. Na primeira metade do jogo, as missões secundárias conversam com a situação geral de Aloy, mas depois elas parecem muito pequenas perto do que a protagonista precisa fazer. Por que Aloy vai parar seu maior objetivo para ajudar algum desconhecido?

Por outro lado, algo que pode ajudar sim o jogador a explorar aquele mundo é o quão interessante é o universo de Horizon. A premissa é muito legal: Quem não conhece o jogo pode ver uma foto e achar que é algum tipo de passado esquisito, mas na verdade o Horizon é uma história pós apocalíptica de um jeito que não estamos acostumados a ver. Em certos momentos, ela levanta temas até que comuns nesse gênero, mas o caminho que Horizon faz é muito interessante. Uma sociedade tribal no futuro com animais máquinas que atacam pessoas. Essa abordagem do futuro não é tão comum e Horizon sabe como explorar esses pontos.

A questão do gênero do jogo me incomoda um pouco. Apesar de ser colocado como um RPG, acredito que o jogo seja muito mais ação/aventura com elementos de RPG. Sim, podemos definir quais habilidades Aloy terá, podemos sair andando pelo mundo ignorando nosso objetivo principal e podemos mudar um pouco a personalidade de Aloy, mas no fim do dia essas “escolhas” praticamente não tem impacto perto do que os RPGs costumam fazer. Mas isso não diminui em nada a qualidade do jogo.

O combate é bem divertido. O jogo te dá algumas opções de como enfrentar certos desafios, mas não exige muito que o jogador mude suas técnicas de batalha. Eu mesma fiquei com o mesmo tipo de flechas por boa parte do jogo e quando cansava largava o stealth. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo, dependendo do tipo de jogador. É também um pouco chato ter que ficar refazendo flechas durante as batalhas, mas em geral o sistema de criar armas é simples e o combate vai aumentando o nível gradualmente de acordo com o avançar da história, da mesma forma que os conflitos morais e pessoais de Aloy também vão evoluindo.

É ótimo ver uma nova franquia assim surgindo, com tanta história para contar e explorando áreas da ficção que nem sempre são vistos. Estamos em uma época de remakes e continuações, o que não é necessariamente ruim, mas a indústria de jogos não pode só se beneficiar de títulos antigos, ela também precisa criar nomes novos que funcionem, que é exatamente o caso aqui.

Horizon tem alguns pontos que podem não agradar a todos, mas com certeza é um jogo que vale a pena testar. É muito divertido, a história é bem construída, o universo é interessante, a protagonista é ótima e, apesar das missões secundárias não serem sempre tão interessantes e o combate ter seus problemas, nada disso atrapalha a experiência. Enquanto jogava, em poucos momentos parei para pensar no que me incomodava. Horizon consegue envolver o jogador, cumpre o que o jogo propõe e vai até além disso. A Guerrilla Games mandou muito bem, Horizon tem potencial para ser um dos melhores jogos do ano.

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