A terceira parte da lista de mulheres diretoras do cinema apresenta realizadoras da América do Norte, Central e do Sul. Com isso, nosso panorama chega ao fim, complementando assim os nomes de diretoras já apresentados nas semanas anteriores da Africa e Oceanica  e da Europa e Asia.

AMERICA DO NORTE

   Sarah Polley

A conhecida atriz canadense estreou como diretora com “Longe Dela” (2006). Adaptação de um conto da escritora Alice Munro sobre um casal que enfrenta o Alzheimer, “Longe Dela” deu à Sarah sua primeira nomeação ao Oscar, pelo roteiro do filme. Em 2011, dirigiu “Entre o Amor e a Paixão” e, em 2012, o documentário “Histórias que Contamos”, de cunho autobiográfico, exibido em alguns dos principais Festivais de documentário do mundo.

Ava Duvernay

Conhecida distribuidora de filmes Hollywoodianos, Ava ganhou destaque como diretora após seu filme “Selma” (2014), sobre a luta de Martim Luther King para conseguir o direito ao voto igualitário para a população negra. O filme concorreu ao Oscar de melhor filme, colocando Ava na lista das mais promissoras diretoras de Hollywood.

Lana Wachowski

A diretora, junto com seu irmão Andy, dirigiu filmes como “Matrix” (1999), “Speed Racer” (2008), “A Viagem” (2012) e a série “Sense 8” (2015 -), é um dos mais conhecidos nomes de Hollywood. Seus filmes flertam com a ficção científica e se passam em universos bastante particulares. A diretora, transgênero, também merece destaque pela importância de seu protagonismo em prol da visibilidade trans. Em um conhecido discurso, afirma que “quando era jovem, queria muito ser uma escritora, uma realizadora de filmes, mas e não conseguia encontrar ninguém como eu no mundo, e pareceu que meus sonhos estavam bloqueados, simplesmente porque meu gênero era menos típico que outros”.

Penny Marshall

A conhecida atriz e diretora entrou para a história como a primeira mulher a dirigir dois filmes, faturando acima de 100 milhões de dólares cada. (“Quero ser Grande”, de 1988 e “Uma Equipe Muito Especial”, de 1992). Dirigiu ainda “Os Garotos da Minha Vida” (2001) e, em 2010, o telefilme “Women Without Men”.

Sofia Coppola

Nome por trás dos filmes “As Virgens Suicidas” (1999), “Encontros e Desencontros” (2003), “Maria Antonieta” (2006), “Um Lugar Qualquer” (2010) e “Bling Ring: A Gangue de Hollywood” (2013), Sofia é uma das mais bem-sucedidas diretoras de seu país. Coleciona filmes premiados no Oscar e em Veneza, além de ter participado do Festival de Cannes como Júri.

Catherine Hardwicke

Catherine é uma diretora múltipla, que transita entre filmes mais autorais, como “Aos Treze” (2003) e “Os Reis de Dogtown” (2005) e obras de grande sucesso comercial, como “Crepúsculo” (2008). Seu filme mais recente, “Já Sinto Sua Falta” (2015), conta a história de duas amigas de longa data, e a luta contra o câncer de mama de uma delas. Catherine, em uma entrevista recente, forneceu uma estatística nada animadora: apenas quatro por cento dos filmes dirigidos por mulheres chegam às telas de cinema.

Kathy Bigelow

Diretora de “A Guerra ao Terror” (2008) dirigiu também “A Hora Mais Escura” (2012). Seus dois filmes de maior sucesso abordam a guerra ao terror estadunidense: o primeiro, “Guerra ao Terror”, venceu o Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção. Kathy foi a primeira mulher a receber tal premiação.

Deepa Mehta

A diretora indiana radicada no Canadá é responsável pela trilogia “Fogo” (1996), “Terra” (1998) e “Água” (2005) – os dois últimos, indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Foi premiada no Festival de Cannes por “Sam & Me” (1991). Em seus filmes, olha para suas raízes indianas, sem desviar de assuntos polêmicos de sua terra natal.

Yulene Olaizola

A diretora mexicana dirigiu o longa-metragem documental “Intimidades de Shakespeare y Victor Hugo” (2008), vecedor do Festival Bafici. Em 2011, dirigiu “Paraísos Artificiales”. Seu terceiro filme, “Fogo” (2012) foi selecionado para a quinzena dos realizadores do Festival de Cannes. É considerada um dos grandes novos talentos de seu país.

Quanto às diretoras mexicanas, vale ainda ressaltar: Claudia Saint-Luce, cujo primeiro longa-metragem “Los Insólitos Peces Gato” (2011) recebeu uma premiação em Locarno. Elisa Miller, de “Vete Más Lejos, Alicia” (2010), exibido em Rotterdam. Natalia Beristain, de “No Quiero Dormir” (2012), exibido em diversos festivais. Mariana Chenillo, de “Paraíso” (2013), e Andrea Martínez Crowther, de “Cosa Insignificantes” (2008). Além disso, destaque para María Novaro, de “Danzon” (1991) e “Sem Deixar Pistas” (2000), premiado em Sundance.

Destaque também para as estadunidenses: Gina Prince, diretora de “A Vida Secreta das Abelhas” (2008) e “Nos Bastidores da Fama” (2014) e Lisa Cholodenko, diretora responsável pelo bem-sucedido “Minhas Mães e Meu Pai” (2010), vencedor do prêmio Teddy no Festival de Berlim. Do mesmo país, vale destacar Dee Rees, diretora de “Pariah” (2011), aclamado no Festival de Sundance e Debra Garnik, de “Inverno da Alma” (2010), grande vencedor do Festival de Sundance. Além disso, Jennifer Lee, de “Frozen” (2013), primeira mulher a bater a marca de um bilhão de dólares na bilheteria. Mary Harron, de “Psicopata Americano” (2000). Miranda July, a multi artista responsável por “Eu, Você e Todos Nós” (2006) e Lena Dunham, de “Mobília Mínima” (2010) e criadora da série “Girls” (2012-).

Filmes como “Emporte-Moi” (1998) e “Assunto de Meninas” (2001) colocam a diretora canadense Léa Pool no hall das realizadoras cujas obras merecem um olhar atento.

AMERICA CENTRAL E AMERICA DO SUL

Lucrecia Martel

Mesmo com apenas três longas em seu currículo, a argentina Lucrecia pode ser considerada uma das maiores cineastas da atualidade. “O Pântano” (2001), premiado no Festival de Berlim, é um marco no novo cinema latino. Em 2004, se seguiu “A Menina Santa” e, em 2008, “A Mulher sem Cabeça”. Nesse momento, Lucrecia finaliza seu próximo filme, “Zama”. Ela afirma que “o mais difícil para filmar é ter um ponto de vista, uma posição, uma visão sobre o mundo”.

Lucia Puenzo

A diretora argentina ganhou destaque com o longa-metragem “XXY”, em 2007, laureado em Cannes. Em 2009, lançou “El Niño Pez”, que, assim como seu filme anterior, retratava o amor entre duas adolescentes. Em 2013, lançou “O Médico Alemão”, sobre um médico nazista que viveu na Argentina.

Anna Muylaert

A diretora brasileira é responsável por filmes como “Durval Discos” (2002), “É Proibido Fumar” (2009) e o premiado “Que Horas ela Volta?” (2015). Seu último filme incitou discussões sociais no país, ao retratar na tela a realidade das empregadas domésticas. Sucesso de crítica e também de público, foi visto no cinema por mais de quatrocentos mil espectadores. Sobre ser mulher e diretora, Anna afirma que “Se eu fosse homem, acho que seria diferente, porque uma mulher que faz sucesso numa área dominada por homens ainda é entendida como uma figura que pode ser perigosa.”

Laís Bodanzky

Seu filme de estreia, “Bicho de Sete Cabeças” (2001), foi premiado no Festival de Biarritz, e causou furor em seu país natal – o Brasil. Laís dirigiu ainda “Chega de Saudade” (2007) e “As Melhores Coisas do Mundo” (2010). Foi também uma das criadoras do Cine Mambembe, cinema móvel que percorria cidades do interior do país, exibindo obras para pessoas que, muitas vezes, nunca haviam ido ao cinema antes.

Tata Amaral

“Um Céu de Estrelas” (1996), longa de estreia de Tata, é um importante filme da retomada do cinema brasileiro. Em sua filmografia, destacam-se ainda “Pela Janela” (2000), “Antônia: O Filme” (2006) e “Hoje” (2011). Sobre o cinema brasileiro, Tata atesta que este nunca foi tão plural: “o Brasil é um país de dimensões continentes, com diversas culturas, e elas precisam estar representadas no cinema”.

Claudia Llosa

“Teta Assustada” (2009), primeiro longa da diretora peruana, foi vencedor do Urso de Ouro em Berlim. O título do filme faz alusão à uma misteriosa doença, transmitida pelo leite materno, que afeta filhas de mulheres violentadas. Em 2014, Claudia dirigiu o longa-metragem “Marcas do Passado”, um co-produção entre Espanha, Canadá e França.

Outras diretoras a ser destacadas: do Paraguai, Paz Encina, de “Hamaca Paraguaya” (2006), premiado em diversos festivais ao redor do mundo. Da Venezuela, Marian Rondón, de “Pelo Malo” (2013). Do Equador, Tania Hermia, de “Qué tan Lejos” (2006). Da Costa Rica, Hilda Hidalgo, de “Del Amor y Otros Demônios” (2009). Do Chile, Marcela Said, de “El Verano de Los Peces Voadores” (2011), e Marialy Rivas, de “Joven y Alocada” (2012). E do Brasil, Juliana Rojas, de “Trabalhar Cansa” (2011), Petra Costa de “Elena” (2012) e Lucia Murat de “Quase Dois Irmãos” (2004). 

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