(com spoilers)

É bem comum ver doramas que mostram relações entre amigos homens — e muito mais o bromance (brother+romance). O problema não é o companherismo e a ótima relação entre os amigos, mas e com as mulheres? Achei onde eu menos esperava…

She Was Pretty

Quando comecei a ver a comédia romântica She was Pretty (2015), tinha apenas como motivação inicial os protagonistas da série: Park Seo Joon e Hwang Jung Eum. O nome do drama em si já era problemático e a chance de ser uma narrativa como Betty a feia, ou algo pior como Bel Ami, era bem possível. Vou apresentar brevemente o roteiro para chegar no que mais valeu a pena da série: o amor entre amigas.

Cartaz de She was pretty

Parte I: Receita de bolo — O primeiro amor está de volta!
Porque? Como? Onde surgiu essa idealização do romance que começa na infância e dura até a idade adulta na cultura asiática? Um mistério para mim, mas é algo que dá certo — haja seriados/hqs com isso. É um claro apelo ao amor puro que vai vencer o tempo e que está predestinado. As almas gêmeas. Nesse meio, insere-se um fator externo que vai dificultar o caminho do final feliz e cá estamos com a premissa de She was pretty.

Parte II: Encontros e desencontros
O dorama começa com um clima de um feliz reencontro entre amigos da infância depois de 15 anos, mas acaba não dando certo. Kim Hye-Jin ficou com vergonha de perceber que não era o que o amigo esperava :  a menina linda e rica de antigamente. No desespero, fez com que a amiga (Min Ha-Ri) assumisse o lugar para dar apenas um “oi, miga, quanto tempo!” e deu. E é claro que isso iria desencadear um problema: Ha-Ri acaba se interessando por Sung-Joon e, sem comentar pra Hye-Jin, vai continuar a se passar por ela e se envolver cada vez mais.

Gifs acima: momento que eles vão se encontrar, mas ele vai na mulher bonita… ela ficou chocada como o rapaz mudou. Quem diria que teria troca de estéticas entre eles.

Parte III: As relações

O seriado já deixa claro no primeiro episódio que ambas tem um ótimo relacionamento, construído desde a adolescência. Elas não se importam de mostrar e brincar com o que sentem e tem uma relação de empatia, cuidado e confiança. São irmãs. Um exemplo mais claro disso é elas se chamarem de wifey e os contatos físicos. 

Gifs acima: festa de comemoração pelo emprego conquistado pela protagonista. Elas dividem o apartamento.

 

Parte IV: O amor vence, é claro.

O que chama atenção é a maneira como Kim Hye-Jin reage quando descobre o que a Ha-Ri fez. A principal reconhece o problema, afirma que está mal pelo que a outra fez, mas ao mesmo tempo compreende os motivos e espera que a amiga os exponha. Ela respeita o tempo de Ha-Ri ao saber que seu amor não é correspondido com Ji Sung. O dorama não apela para a briga entre mulheres por um homem, mas reafirma a boa relação entre elas.

Como assim? A protagonista não faz nada?! Não fez…
A história tem vários pontos pra se considerar. Primeiro, a Hye-Jin não queria entrar em contato com o Sung-Joo, enquanto a amiga viu isso como oportunidade. O problema foi escolher muito mal em manter a mentira de quem a colocou nisso. Outro ponto da história é a vida de Min Ha-Ri. Suas relações afetivas foram ruins e a única conexão emocional positiva que se tem é com a Hye-Jin. E agora, com o cara que ela gosta. É claro que isso não justifica ao que ela fez, mas há um contexto para tornar mais difícil o julgamento raso que justificasse um possível rompimento de uma amizade de muitos anos. O máximo que ocorre é um breve afastamento entre elas.

O amor predestinado não é abalado nem um pouco — ele é ajustado com o fator destino. Nos comentários no Viki, não havia muita empatia pela Ha-Ri. Há um coro que ela não merece a amizade da Hye-Jin. Sorte que o roteiro não segue a mesma onda.  

É claro que a série possui alguns problemas quando comparam a beleza das duas. Usam a aparência da protagonista para gerar comédia e usam o estilo de vida da outra para a julgarem como biscate/filhinha de papai que precisa virar uma mulher direita. Ao passo que é interessante quando expõe como as famílias deram uma estrutura emocional para cada. De um lado uma consegue expor o que sente, enquanto Ha-Ri está em fase de descobertas de algumas relações afetivas. No trabalho, elas trocam: enquanto uma se dá bem, Hye-Jin está no começo da carreira. É aí que elas se completam.

“Eu estou… realmente bem. Claro, eu menti sobre estar bem antes. Mas agora eu estou sendo honesta. Eu estou realmente bem. Então, Hye-Jin, vá!”

E os outros doramas?

Há muitas relações femininas que não ganham esse destaque nos dramas. Revi minha lista de doramas e não lembro de alguma que eu batesse o olho e falasse que tinha ali um relacionamento de amigas que me marcasse tanto. Eu sinto muita falta dessas representações que tenham enfoque na narrativa (e que não se resumam ao cliché de amigas que se encontram pra falar de amor, como se não tivesse assuntos de trabalho, família, comida, seriados do netflix). Boa parte dos seriados asiáticos isolam a protagonista em torno do romance e relações positivas entre mulheres são pouco abordadas, haja troca de ódio por um cara. O universo criado pode ser mais do que isso se repensarem nos diálogos e potencialidades dos personagens para com o roteiro.

Visse algum dorama que tem boas representações de amigas? Comentem!

Onde assistir She was pretty? DramaFever ou Viki

%d blogueiros gostam disto: