Toda vez que falamos sobre A Bela e a Fera, seja a animação ou o live-action que chega aos cinemas esse ano, sempre nos questionamos sobre um dos principais problemas da história: a Síndrome de Estocolmo. Bela começa a história como uma mulher livre e, logo depois, é aprisionada pela Fera. Apesar das óbvias cicatrizes emocionais que a Fera possui, isso não é justificativa o suficiente para que ele a aprisione, tente força que ela viva em paz com seu algoz. Na animação ele inclusive a “liberta”. Apesar disso tudo, Bela se apaixona por seu sequestrador.

Síndrome de Estocolmo é um termo foi cunhado mais de 40 anos atrás, quando depois de um assalto à banco com sequestro que durou dias, as vítimas do sequestrador começaram a apresentar sinais de que se identificavam com o seu algoz. Em um primeiro momento um mecanismo de defesa, com o aumento das gentilezas do sequestrador, ele acaba se tornando empatia. O sequestro aconteceu em Estocolmo, por isso o nome.

Em recente entrevista à Entertainment Weekly, Emma Watson, que interpreta a Bela, foi questionada sobre a questão de Bela estar em um relacionamento abusivo com a Fera. Você pode assistir ao vídeo em inglês, ou ler a versão que nós traduzimos.

É uma pergunta muito boa, e é algo que realmente me balançou no começo, essa questão da Síndrome de Estocolmo da história. (…) A Bela discute e discorda da Fera constantemente. Ela não tem características de alguém com Síndrome de Estocolmo, porque ela mantém a sua independência ela mantém uma independência mental.

Eu acho que tem uma virada muito intencional alí, ao meu ver, quando Bela decide ficar. De fato, ela dá tanto quanto recebe. Ele bate na porta dela, ela bate de volta. Há um tom desafiador alí: “Você acha que eu vou jantar com você enquanto sua prisioneira – absolutamente não.”

Acho que essa é a outra coisa bonita sobre a história de amor. Eles formam uma amizade primeiro, o amor se constrói a partir disso, que de muitas maneiras eu realmente penso ser mais significativo do que muitas das histórias de amor, onde é amor à primeira vista, e você está lidando com todas essas projeções.

A Bela e a Fera começam a história de amor realmente irritando um ao outro, e realmente não gostando um do outro. Eles constróem uma amizade, devagar, devagar e muito devagar essa construção se torna amor. Há um problema com muitos dos contos de fada que são escritos tradicionalmente: então, a garota só vai desistir de toda a sua existência, e tudo que é importante pra ela, por esse cara? Esse parece ser um tema recorrente.

A Bela até canta sobre o Príncipe Encantado. Nas o que eu senti da Bela é que ele é algo para depois. Ela está muito mais interessada em se aventurar, viajar e ler. Eu também acho que a idéia dela do Príncipe Encantado é alguém que a entende. Ela está está esperando por alguém que apareça e que a entenda.

Pra mim, que cresci numa cidade pequena, onde eu sentia que me encaixava muito pouco, esse sentimento de querer sair, se aventurar e encontrar pessoas que me entendessem foi uma das principais razões pelas quais a Bela foi uma das princesas mais importantes da minha infância.

Emma Watson já havia feito pedidos para que a história do live-action desse mais independência para Bela, como fazer ela mesma a inventora. Seu pai continua sendo um pensador, mas Bela é a inventora. Isso por si só já é uma mudança interessante na história.

No longa animado é seu pai que é o inventor, e nós puxamos isso para a Bela. Eu falei “Bom, nunca teve assim muita informação e detalhes no começo da história sobre porque Bela não se encaixava, além dela gostar de livros. E também, o que ela está fazendo com o tempo dela?” Então nós criamos uma história pregressa para ela, que ela tinha inventado um tipo de máquina de lavar para que, ao invés de lavar roupa, ela possa se sentar e usar aquele tempo para ler. Então, sim, nós fizemos de Bela uma inventora.

Vale lembrar que já na animação de 1992 a máquinha que o pai de Bela levava ao concurso quando acaba preso no castelo da Fera era uma máquina de lavar.

O filme chega aos cinemas no dia 16 de Março, e saber que a protagonista do filme se preocupou com as questões que muitos dos fãs da história levantam já me deixa ainda mais animada pra ver como a narrativa do filme vai mudar em relação à animação.

Nós falamos sobre a questão da Bela e a Fera alguns anos atrás, num dos nossos Reviews em Cinco Minutos, com a Renata Alvetti. 😉

via The Mary Sue

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