Aqui no escritório do Collant Sem Decote a gente recebe um monte de perguntas/reclamações sobre feminismo nerd, sobre os nossos questionamentos, as nossas próprias reclamações, sobre os temas que abordamos e sobre tudo relacionado à representação de gênero na cultura pop. Muitos desses questionamentos são iguais e se repetem ad infinitum – tanto aqui, quanto nos fóruns, twitter e grupos de discussão dessa vida nerd louca.

Pensando nisso, e inspirada pelo incrível FAQ Feminista da Aline Valek, resolvi compilar algumas dessas principais dúvidas, afirmações, reclamações, questionamentos e as respostas para elas. Essa página vai servir como fonte pra você que ou enfrenta a horda de haters da internet no dia a dia, ou quer entender o porque queremos e exigimos as mudanças das quais tanto falamos.

Ainda tem muitas perguntas e reclamações a serem respondidas, então deixe aqui nos comentários a sua sugestão que vamos aos poucos respondendo. Pros engraçadinhos de plantão, deixo a dica de que os comentários são moderados. 😉

Escritório Nerd Feminista

1) As feministas censuram artistas e, querem deixar a cultura pop chata e politicamente correta 

Não, a gente só quer ver uma representação de gênero, sexualidade e etnia mais igualitária. Queremos nos sentir representadas através de personagens que sejam espelho da nossa sociedade, mostrando que independente de você ser branco ou não, há uma gama de personalidades e histórias que podem ser retratadas.

Durante muitos anos, o homem branco cis heterosexual foi o principal contador de histórias porque foi a sua dominância (estabelecida através de medo, violência e outros tipos de opressão) que fez do seus discurso o mais distribuído. Mulheres, pessoas de outras etnias, de outras identidades de gênero e homossexuais foram sistematicamente apagados e reprimidos de qualquer forma de representação e produção cultural. Por causa dessa dominância o homem branco é considerado como o padrão universal, aquele indivíduo com que todas as pessoas conseguem se identificar e entender. Esse padrão está sendo contestado atualmente, com personagens negros e de outras etnias, femininos, trans, homoafetivos, de diferentes origens e realidades.

Não é que nós não consigamos sentir empatia por personagens masculinos por sermos mulheres, é que nós também queremos ser celebradas e representadas. Essa limitação no personagem masculino branco hetero e cis limita também o leitor que se encaixa nesse padrão de estabelecer conexões com outros tipos de personagem. Se eu sou capaz de sentir empatia e me identificar com a jornada de um homem, porque um homem não seria capaz de se identificar com a jornada de uma mulher?

As exigências que fazemos tem a ver com expandir possibilidades, não limitar e censurar. Nós queremos quebrar o status quo da cultura pop, que registra quase que unicamente homens brancos heteros e cis. Um artista que trabalha nesse meio não deve ver essas exigências como censura, e sim como liberdade de representar, criar e brincar com outros tipos de personagens, com outras possibilidades, outras realidades – é uma oportunidade para deixar a imaginação fluir livremente, se afastando dos estereótipos que por tantos anos vem engessando a estrutura da cultura pop, limitando o alcance inclusive mercadológico do que é produzido.

2) Essas feminazis/Social Justice Warriors estão acabando com a MINHA infância.

Vamos começar lembrando que você não passou a infância isolado dentro de uma sala branca onde tudo que você consumiu de produção cultural foi feita única e exclusivamente para você – nós, mulheres e outras minorias, também tivemos infância e também assistimos, lemos e jogamos as mesmas coisas que você.

A partir daí podemos estabelecer que ninguém está pegando os Super-Amigos, Teen Titans ou Meninas Super-Poderosas e pintando por cima do desenho original. Também não estamos roubando suas revistinhas guardadas com tanto carinho só para rabiscar o Capitão América de canetinha marrom e devolver pra sua estante. Não, isso também não está sendo feito, assim como ninguém tá pegando seus cartuchos de Super Nintendo e trocando o Link pela Zelda ou o Mário pela Princesa Peach. OU SEJA, esse argumento de “acabando com a minha infância” não cola, também porque a sua infância acabou faz um tempo – e não tem problema nenhum você continuar gostando das coisas que gostava quando era mais novo – mas se você cresceu e evoluir, porque exigir uma estagnação dos seus personagens favoritos?

O que nós queremos é mais diversidade no meio de que tanto gostamos.

3) Os Super-heróis masculinos são tão sexualizados quanto as super-heroínas femininas. 

Não. A única coisa em comum no modo deturpado com que os corpos masculinos e femininos são retratados nos quadrinhos é o receptor: o fã nerd masculino.

Os uniformes das super heroínas são decotados, mínimos, absolutamente inapropriados para batalha, parecem pintura corporal e são comumente acompanhados por uma pose que envolve pernas abertas, bunda empinada, peito proeminentemente posicionado para frente, seios fartos e maiores que o rosto, bunda grande, cintura extremamente fina, lábios carnudos e cabelos esvoaçantes. Esse tipo de representação é muito comum entre as personagens femininas pois busca atingir a libido masculina, já que estabelece uma conexão imediata entre os padrões de beleza feminina que a nossa sociedade enfia na cabeça dos homens desde novos, com revistas e filmes pornôs. O machismo e a misoginia desse tipo de representação faz com que o leitor masculino, que consume esse tipo de visão desde novo, enxergue a mulher como um aparelho sexual, que fora desse padrão é menor, que existe única e exclusivamente para agradar e servir a sua libido. A garota que consome isso desde nova aprende que estar fora desse padrão é ser feia, cria uma estrutura de insegurança com seu corpo, criando baixa autoestima, normaliza a mulher sexualizada como algo natural e muitas vezes dissocia de si própria o seu corpo, não se dando conta que ela mesma não é um órgão sexual ambulante.

Os uniformes masculinos costumam destacar os músculos dos personagens, com desenhos que não podiam ser mais irreais, deixando muitos personagens sem pescoço, as cinturas finas, quadris finos, pernas grossas e torneadas, os braços com músculos maiores que a cabeça do personagem. O que o traço dos super-heróis vendem não e sexo, é masculinidade e tem como consumidor final o leitor homem, não a leitora. É uma masculinidade exacerbada, o macho-alfa, que limita o leitor e o herói à uma carapuça apática, carrega de machismo um personagem que deveria representar algo maior. Esses personagens são comumente representados com quase total apatia de sentimentos – o homem forte é o homem que não sente, não quebra. Se ele apresenta algum tipo de sentimento ele é geralmente auto-indulgente, como o sofrimento por um dever não cumprido (salvar a mulher que ama), culpa por algo que estava fora do seu alcance (o assassinato dos pais) ou as dificuldades de ser um super-herói (mesmo ele sendo branco, hetero, cis e rico).

É nesse tipo de representação que o machismo atinge o fã masculino, um leitor que desde muito novo aprende que ser homem tem a ver com força física, violência e músculos. Esse tipo de conceito afeta o receptor nerd, que muitas vezes passa longe desse estereótipo, com um baque, criando um sujeito inseguro e ao mesmo tempo autoritário, que por mais que queira, não consegue se conectar com outras representações que não essa do macho. Ele também passa a ver mulheres como seres frágeis (já que elas são constantemente diminuídas para dar espaço ao herói masculino), sexualizados, menores e que existem apenas para servi-los (um exemplo disso é a criação da tal friendzone).

Comparar as duas formas de representação é falsa simetria, porque estabelece que os personagens masculinos e femininos estão em pé de igualdade no modo como são representados, quando isso não podia estar mais longe da verdade.

4) Então as feministas querem ignorar as sexualidade dos personagens? Não pode ter homem sexualizado em pró do olhar feminino também? 

Olha, eu não acho que sexualizar o personagem masculino em pró do olhar feminino é a solução. Não só porque essa é uma igualdade quase impossível de ser alcançada (posto que é mínima a quantidade de personagens femininas que não são sexualizadas), mas porque objetificar seres humanos não faz bem de maneira geral.

Dito isso, eu gosto de um homem sem camisa tanto quanto a moça sentada ao meu lado. Mas a indústria ainda está bem distante de entender qual é a figura masculina que mais atrai a mulher (se é que é interessante limitar essa visão). Como foi dito na questão anterior, os personagens masculinos como desenhados hoje não são pensados para agradar o olhar feminino. Personagens que fogem desse padrão músculos infinitos fazem muito mais sucesso entre as fãs, como Asa-Noturna e Gambit, o que não quer dizer que não existam mulheres que gostem da pegada halterofilista.

É importante notar que mesmo quando os personagens masculinos são sexualizados para o olhar feminino ainda há uma imensa diferença com as milhares de personagens femininas objetificadas. Enquanto o herói masculino que é desenhado para agradar o olhar feminino é, na maioria das vezes, protagonista e dono da ação e do desenvolvimento principal da história, as personagens femininas, mesmo as que estão ali apenas como figurantes são sexualizadas. Sejam os POCs dos games, as Bond Girls, as vítimas do Coringa, Mary Jane, Viúva Negra ou Mulher Maravilha, todas elas são sexualizadas e, na imensa maioria das vezes, não são donas da sua própria história, quem dirá da sua sexualidade.

5) Não deixar as personagens femininas serem sexualizadas é reprimir a sexualidade delas. 

Não. Uma personagem sexualizada é aquela que é vista, escrita e desenhada apenas como adereço, como objeto que existe para saciar a libido masculina. Uma personagem com a sexualidade bem desenvolvida é uma personagem complexa, com diversas camadas de desenvolvimento dentre as quais o modo como ela se comporta sexualmente. Além disso, uma personagem em controle da sua sexualidade também é escrita sem julgamentos. Ou seja, a história e os personagens dentro dela podem julgar a personagem, mas a “moral” da história sobre a sexualidade dela dele ser positiva e de maneira nenhuma diminuir a personagem ao seu comportamento sexual. Ela deve também não sexualizar a personagem a cada quadro.

Há muita discussão sobre personagens que teoricamente são donas de sua sexualidade, fala-se que a Hera Venenosa (DC) e a Rainha Branca (Marvel) são bons exemplos. O que se esquece em relação à essas personagens é que elas são constantemente desenhadas pra a libido masculina, ou seja, na superfície o que sai da boca delas pode ser considerado libertador, mas a imagem delas continua focada em satisfazer o olhar masculino. Não existe uma realidade no universo inteiro em que lutar contra hordas de alienígenas usando salto alto, shorts curtos, espartilho tomara que caia e uma capa de plumas é prático – mesmo se a sua pele é de diamantes.

Se você é escritor/desenhista e quer desenvolver uma personagem feminina que seja dona da sua própria sexualidade, lembre-se de uma coisa: mulheres são seres humanos. Nós caminhamos, sentamos e levantamos como seres humanos. Usamos roupas confortáveis e apropriadas para o trabalho que precisamos realizar. Nem atrizes pornôs são atrizes pornôs 24 horas por dia, portanto, pare de desenhar super-heroínas como a moça que você viu no Emmannuelly 33 – pare de querer representar a sexualidade de uma mulher fetichizado ela.

6) Os estúdios e editoras estão colocando protagonistas femininas apenas como subterfúgio para atrair mais público. 

Sim! \o/

Como já foi dito lá na questão nº1, a nossa sociedade não é só formada por homens brancos, heteros e cis, ela é incrivelmente plural e diversificada e é apenas natural que a produção cultural, comercial ou não, reflita isso. Os estúdios e editoras estão apenas se dando conta de que, ao limitar seu protagonista ao padrão de homem branco, estão também limitando o público que poderiam alcançar e com isso limitando a quantidade de dinheiro que podem arrecadar.

Isso é ruim? Do ponto de vista que sabe que capitalismo é um dos maus do mundo, por mais legal que seja montar uma estante de colecionáveis, sim. Mas ao mesmo tempo essa sede por dinheiro que essas empresas possuem está fazendo com que elas abram os olhos para o imenso mercado que eles estavam até agora perdendo e que podem alcançar. Isso faz com que cada vez mais essas empresas queiram atender ao chamado do público e dar espaço para personagens e artistas que representem essas minorias que possuem poder aquisitivo o suficiente para ajudar a encher os seus cofrinhos.

7) Se querem diversidade, então por que não criam personagens novos femininos e de outras minorias em vez de mudar os antigos?

Criar novos personagens é muito importante porque ajuda a manter o mercado aquecido, incentiva a diversidade e dá espaço para que novos escritores e artistas criem novos personagens, tornando o mercado mais democrático e oferecendo mais opções para os leitores. Além disso permite que toda uma nova gama de personagens diversificados ganhe espaço, apresentando novas histórias de origens e realidades diferentes, novos universos, com diferentes etnias, orientações sexuais e identidades de gênero.

No entanto, personagens como Capitão América, Batman, Super-Homem, Homem-Aranha, Wolverine e Thor habitam o imaginário popular e estão sedimentados na nossa cultura de uma maneira que os faz praticamente insubstituíveis. A única personagem feminina que anda quase em pé de igualdade com eles é a Mulher Maravilha e eu honestamente não consigo pensar em nenhum outro personagem negro/gay/lésbica/trans que tenha o mesmo tipo de espaço que eles.

O impacto que um personagem negro como o Falcão causa ao assumir o manto do Capitão América, ou de uma personagem feminina se tornar Thor, ou do Homem de Gelo assumir a sua homossexualidade, é importante porque esses mantos/personagens são parte muito importante da nossa cultura, eles representam anos e anos de construção de personagem, de sedimentação de história. Essa troca de gênero/sexualidade/etnia é importante porque abre espaço para que os personagens novos e mais diversos se sedimentem, ajuda uma parcela da comunidade que não está acostumada com esse tipo de representação entender que esse é o caminho certo, que é o caminho justo.

Eu adoraria que só criar personagens novos fosse o suficiente, mas não é, e as editoras sabem disso. O que não pode acontecer é ficar só nessa mudança temporária. O Falcão, que já era um personagem interessante, vai eventualmente voltar a ser Falcão, mas antes vai ter aberto espaço para que mais personagens negros ganhem destaque.

Aqui tem um ótimo texto da Anne Caroline, do Preta, Nerd e Burning Hell: A importância de sermos heroínas negras.

Eu falei sobre isso aqui: Super-Heróis que mudam. 

E aqui: Filmes e Diversidade: uma reflexão sobre os anúncios da Marvel e da DC. 

8) Mulheres não gostam tanto quanto homens de quadrinhos/games/literatura/filmes/qualquer outra coisa que pode ser considerada nerd. 

Sabia que nós já somos 47% dos leitores de quadrinhos? Também somos quase metade dos consumidores de games, somos a maioria dos consumidores de literatura e, ainda sim, somos a minoria dentre os protagonistas ou mesmo dentre os personagens com falas nesses meios. Também somos a minoria na equipe de produção e desenvolvimento de todos os produtos que a cultura pop disponibiliza.

Nós gostamos sim, tanto quanto vocês, de tudo que envolve o universo nerd. Minha mãe, antes de mim, jogava videogame. O primeiro livro de Ficção científica foi escrito por uma mulher, nós escrevemos um dos maiores clássicos do terror, e quebramos barreiras nos tornando escritoras e cientistas durante uma época em que mulheres só podiam sorrir e se casar. Nós sempre tivemos interessem em tecnologia, em arte, em literatura, em quadrinhos, no cinema e nos vídeo games – mesmo quando não nos era permitido (muitas vezes por lei) ter um interesse nessas áreas. O mesmo serve para pessoas de etnias que não a caucasiana e para a comunidade LGBT.

Se pra você, homem, já foi difícil ser nerd quando era mais novo, imagina se você fosse uma garota dizendo que gostava de coisas nerds? Nós gostamos de todas essas coisas sim, mas só agora estamos nos encontrando. <3

A Sybylla, do Momentum Saga, fez um texto incrível falando sobre como nós já estávamos aqui desde o começo: Nós Sempre Estivemos Aqui.

Eu falei um pouco sobre isso também: Mulheres, nerdices e o ódio na internet.

9) “Mas é a minha opinião”.

Olha, desinformação não é a mesma coisa que opinião. Quando você fala que “nerd recebe tudo a mesma merda na internet, não importa o gênero”, isso é desinformação. Sim, todo mundo que está na internet recebe uma leva da onda de ódio do mundo on-line, mas a mulher recebe uma onda específica, que existe única e exclusivamente porque ela é mulher. O mesmo acontece com pessoas negras e de outras minorias. Homem não sofre ataque online apenas por ser homem, mulher recebe ataque online apenas por ser mulher.

Quando um cara pede a minha ~carteirinha nerd~ esse cara não está apenas sendo um babaca, ele está sendo um babaca machista, porque o universo nerd é um lugar extremamente hostil para a nerd mulher. Eu posso amar Ficção Científica desde que eu era pequena, mas a dúvida que vai ser levantada sobre o meu verdadeiro conhecimento do assunto vem atrelada ao fato de que, por eu ser mulher, nos olhos do machismo nerd, eu automaticamente tenho menos interesse, menos conhecimento e sou nova nisso. Pedir carteirinha nerd de qualquer pessoa já é ridículo, mas pedir a carteirinha nerd para uma mulher é questionar a credibilidade dela apenas porque ela é uma mulher. “Mas eu não estou questionando só porque ela é mulher!” Você pode achar que não, mas você, como homem, tem total liberdade de transitar em todos os espaços nerds, dar opiniões que serão levadas a sério imediatamente e nós, mulheres, estamos sempre sendo questionadas. Mesmo quando falamos de um assunto que é tão pertinente e específico nosso como a representação feminina na cultura pop. 😉

Então, antes de sair dizendo que o que está acontecendo não é machismo, dá uma procurada e tenta se informar sobre o assunto. É difícil mesmo desconstruir privilégios, ver que o que a gente acha que é bobeira na real é muito pertinente e importante pra muita gente.

Perguntas que já estão quase chegando:

10) Estupro é violência, precisa falar sobre isso. Homem morrendo pode, mas mulher sendo estuprada não? É injusto. 

11) Se é minoria então devia aceitar o que a maioria fala. Isso é democracia. 

Até mais! 😉

  • Beatriz

    Muito bom, cartilha pros amiguinhos que vierem falar merda.
    Conheci o site hoje e digo que estão de parabéns, é difícil encontrar conteúdo nerd para mulheres sem que as tratem como fúteis ou sexo frágil.

  • Oi, moças! Tudo bem? Uma coisa que eu não vi muitas comentando é a questão do femismo, que é completamente diferente do feminismo! Muita gente não sabe e confunde com o que o feminismo prega, que na minha visão é bem simplória, porém é bem complicado na cabeça de muitas pessoas! Então, acredito que seja um ponto que vocês poderiam explicar a diferença de cada um!

    Abraços! 😉

    • Bru

      Femismo é uma idéia que só funciona na teoria pois nós deveríamos primeiro conseguir igualdade para só depois conseguir oprimir e pregar essa suposta superioridade.
      Homens desinformados costumam chamar feministas de femistas apenas por falta de conhecimento sobre as pautas, sobre os rumos da luta e, principalmente por não ter noção nenhuma acerca do que é falsa simetria.

  • Sim! Por isso acho interessante um texto que aborde isso bem e esclareça esses pontos! Eu sou uma pessoa que respeito a opinião geral, jugando apenas os fatos e aprendendo com o que eu realmente não tenho conhecimento!
    Pode ser ignorância da minha parte, mas em determinados locais, a discussão chega ao ponto que faz parecer que um dos lados quer pregar algo como a ditadura dos gêneros ou a ditadura das minorias, como se fosse um obrigação! Tipo, se determinado lugar não esse ou aquele, é obrigado a ter e coloca de qualquer jeito, sem realmente analisar todo um contexto! Uma vez vi comentários do tipo “…fala em defesa dos negros mais não vez um negro na sua equipe…” ou “… vc poderia passar tal mensagem pra mim sobre esse assunto, é pq sou branco e se eu fizer isso, serei mal-interpretado!” Acho um absurdo esse tipo de coisa! Se a pessoa não fizer parte da minoria, isso o desqualifica a defender tal coisa, sabendo que a pessoa é uma pessoa de bem e só quer dizer “… vc não está sozinho(a)…”
    Tais assuntos devem ser mesmo debatidos e chegados a consensos de mudança de comportamento, mas tem que haver um bom senso tbm e não deflagrar um preconceito, porque fica parecendo que você é uma pessoa que é contra preconceito, mas de outra forma você mesmo não enxerga que prega outro preconceito! Tenso isso!

    • Collant Sem Decote

      Olha, vou apontar alguns problemas na sua fala.
      “Ditadura das minorias” ou “Ditadura dos Gêneros” – do que você está falando? Do fato de que agora quando você é homofóbico, transfóbico ou racista as pessoas vão lhe apontar o dedo e dizer que você está sendo isso? Essa ditadura que você diz não existe, porque o sistema de opressão é branco, masculino, hetero e cis.
      Lugar de fala é importante na discussão porque por mais que eu possa apoiar e discutir o preconceito racial, eu sou branca e nunca vou entender direito o que é sofrer com racismo. Então sim, existem discussões onde a sua voz não vai ser a mais importante e você precisa aprender a lidar com isso.
      Homens brancos passaram anos sem ninguém questionar a opinião, podendo opinar sobre tudo e sobre todos. Enquanto isso mulheres, negros, homossexuais e pessoas trans passaram a vida inteira ou silenciados e marginalizados, ou tendo sua opinião questionada de todas as maneiras possíveis. Pode ser difícil de intender, mas a sua opinião não é sempre importante. Muitas vezes o melhor que um cara pode fazer é ficar em silêncio e escutar o outro. Isso faz um bem muito maior do que ficar falando sobre todo e qualquer assunto sobre o qual você não tem vivência. Existe a necessidade do debate sim, mas ele precisa ser debatido de maneira a dar o espaço devido às pessoas que tem a experiência sobre o que está sendo discutido.
      E eu não consigo entender que “outro” preconceito é esse. Se é o tal preconceito contra branco, fica o alerta de que isso não existe. É preciso olhar para fora do próprio umbigo e enxergar os privilégios. Ter privilégios não faz de você um babaca automático, mas vê-los e ignorá-los sim.

      • Vou dar um exemplo claro… talvez tenha sido um caso isolado, mas é algo a se ver! No canal do omelete, onde eles falam que o Oscar é branco, eles desativaram os comentários porque as pessoas estavam chegando ao cúmulo de dizer que o Omelete não pode se pronunciar preocupado com esse assunto porque eles não tem nenhum negros na equipe deles! Se fossem pra defender algo assim, pq então eles não colocam um negro na equipe de apresentadores ou mostram ele! Entendeu o que eu quis por como se fosse uma ditadura desse tipo de coisa! É como se fosse obrigação que para vc defender uma causa, você TEM que estar inserido! Acho completamente errado essa ideia!

        E o “outro” preconceito que eu falo é algo tipo “… cala a boca! Vc não me entende, logo vc não pode me defender! Vc não é negro, não é mulher ou homossexual…”! Esse ponto! Pq não foi uma ou duas ou meia dúzia de vezes que já li isso! Eu já taxado por uma moça mesmo dizendo que eu nunca posso me dizer nem simpatizante do feminismo pq eu não sou mulher então não sei o que digo e não posso defender! Tipo, sou homem, então de cara já tenho a placa de que abuso de mulheres! Foda-se se sou negro (sim… sou mesmo), foda-se se posso gritar que passei em vestibular sem estar nesse plano de cotas. Sou homem já me desqualifica de qualquer outro argumento! É o que me parece por isso!

  • Lindo! Vou até salvar nos favoritos pra usar quando for preciso. 😛

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