Deve ser muito difícil ser homem hoje em dia. Nessa época em que você precisa deixar de ser um babaca e começar a agir como uma pessoa decente, onde te obrigam a tratar mulheres como pessoas e, principalmente, quando você tem seus erros escancarados ao mundo e apontados com críticas.

Frank Cho parece estar numa constante crise existencial desde o lançamento da capa desenhada por Manara no relançamento da revista da Mulher-Aranha. Isso foi há dois anos atrás. Sim. Faz tudo isso, mas Cho não consegue superar o fato de que algumas pessoas se ofenderam com a escolha de Manara como o artista para o lançamento de uma revista que visava o público feminino.

Nós comentamos a revista, levantamos o problema da escolha e do modo como a personagem é representada. Falou-se sobre a anatomia absurda do desenho, sobre a sexualização, sobre a escolha errada de artista e, seguiu-se em frente.

Mas Cho, não. Cho transformou essa UMA polêmica em um evento sem fim, vendendo prints pela internet e em Cons, repetindo o desenho toda vez que a gente esquece que ele existe, de certa maneira parece que quando ele nota que sua ~relevância~ no mundo dos quadrinhos diminui, ele solta uma nova versão.

Em 2015, depois de fazer uma boa quantidade de versões da capa com praticamente todas as super-heroínas existentes, ele lançou uma com Spider-Gwen.

Sabe? Aquela personagem adolescente? Pois é.

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Porque personagens de video games não são sexualizadas o suficiente.

Agora, mais de um ano depois, Frank Cho ficou com saudade de seus fãs punheteirinhos. <3

Assim como aconteceu quando do lançamento da capa de Manara para Mulher-Aranha, em que a equipe criativa da revista não apoiou a escolha da capa, o mesmo aconteceu com o roteirista de Street Fighter, Jim Zub, revista para a qual Frank Cho copiou novamente o desenho de Manara. A essa altura do campeonato até Manara deve estar de saco cheio da suposta “homenagem” de Cho. Além desse ~tema~ recorrente nos seus sketches, Cho também fez uma coleção em que personagens femininas mexiam nos próprios seios enquanto personagens masculinos observavam. É só nojento.

Andrew Wheeler, do Comics Alliance, escreveu o texto mais engraçado sobre o assunto. Com muito sarcasmo, Andrew aponta como Frank Cho talvez seja o salvador da punhetice masculina.

Andrew começa:

Como você sabe, homens héteros são o grupo mais perseguido no mundo hoje. Eles costumavam viver numa utopia onde tudo era feito para atingir suas necessidades, mas isso mudou. Há uma versão feminina de Ghostbusters! O jogo Rust escolhe o gênero randomicamente! Dois filmes de Star Wars tem protagonistas femininas! E, também, as vezes há mulheres nuas em Game of Thrones com quem eles não querem transar.

Os Guerreiros da Justiça Social fizeram tudo isso, é claro. Eles invadiram a cidade com o seu feminismo e seu arco-íris, e estragaram tudo. De repente se espera que as pessoas respeitem a humanidade básica de todas as pessoas. É a loucura do politicamente correto! Mas talvez o maior crime dos GJS tenha sido aquela vez em que as pessoas sugeriram que utilizar a imagem sexualizada da Mulher-Aranha desenhada pelo artista erótico Milo Manara (uma homenagem à suas capas da Penthouse Comix) era inapropriada na capa de um quadrinho que pretendia alcançar leitoras femininas. Isso é censura!

Ainda bem que Frank Cho estava proto para proteger a voz marginalizada dos homens que querem que os corpos femininos sejam usados para vender produtos independentemente da audiência pretendida. E apesar da capa do Manara ter saído dois anos atrás, Cho ainda não desistiu da luta.

É um verdadeiro Guerreiro, esse Frank Cho. XD

Arte tem sido usada para dar voz aos silenciados e para bater de frente com as autoritárias estruturas de poder mantidas há gerações, e quem poderia ser mais silenciado em nossa sociedade do que o homem hetero? Tirando televisão, filmes, video clipes, revistas, propagandas, a internet e alguns bares, clubes e restaurantes, quem está cuidando das necessidades dos homens que gostam de bater uma enquanto olham para uma mulher? Esses pobres e marginalizados tem apenas a indústria do entretenimento, a história da arte e do comércio, as atitudes mais fortes da nossa cultura, e a supremacia permanente do homem hetero tanto como tomador de decisões e como maior setor do mercado, ao seu lado. E também Frank Cho.

Mas Cho não está contente apenas em lutar nas trincheiras dos rascunhos de capas. Recentemente ele criou uma nova capa para o quadrinho de um vídeo game que, novamente, apresenta a protagonista feminina na mesma pose com a bunda para cima. Você pode vê-la na sua página de facebook. Cho diz que o diretor de arte da empresa queria que ele recriasse a pose (mais uma vez) porque ele, assim como Cho, é “anti-censura”. Graças à Deus por esses bravos homens, dispostos à arriscar tudo – ou pelo menos alguém dizendo que eles são nojentos e preguiçosos no twitter – para assegurar que ainda haverão bundas de mulheres nas capas de revistas em quadrinhos.

O texto encerra com um chamado hilário para que nós fiquemos ao lado desse defensor do direito masculino:

Não é o suficiente dizer “Eu apoio Frank Cho”. Nós devemos descer em nossas patas traseiras e agacharmos com ele também.

Muitos fãs do trabalho do desenhista acreditam piamente que Cho é o grande defensor da honestidade e da liberdade de expressão artística. Mas a verdade é que Frank Cho chegou num momento em que a única coisa que há para se fazer dele é rir. ¯\_(ツ)_/¯

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