Há algumas semanas a internet ficou inquieta com o movimento criado pela hashtag #GiveElsaAGirlfriend (dê uma namorada para Elsa). A intenção da hashtag, se ela já não é auto-explicativa, era colocar um pouco de pressão na Disney para que a rainha Elsa, de Frozen, ganhasse uma namorada no próximo longa da franquia. 

O movimento foi encabeçado pela fundadora do Feminist Culture, Alexis Isabel Moncada e escalonou para um  movimento imenso no twitter. De acordo com um relatório do GLAAD, a Disney e suas subsidiárias (incluíndo LucasFilm e Marvel), não teve nenhum personagem LGBT nos seus filmes de 2015. Levando em consideração que Elsa é uma das poucas princesas/rainhas Disney à não ter um interesse romântico, não é de se surpreender que ela esteja sendo cotada pelo público para assumir essa primeira fatia de representação.

Durante o Billboard Music Awards, neste domingo Idina Menzel, atriz que dubla Elsa na versão original, respondeu ao ser questionada sobre a hashtag:

Eu acho ótimo, a Disney só precisa confirmar isso.

Ela também adicionou que apoiaria a decisão “não importa o que aconteça”. No fim, obviamente, a decisão vem da Disney, mas não deixa de ser legal ver a atriz apoiar uma decisão que poderia ser revolucionária.

Quando a hashtag começou a rodar a internet algumas pessoas se posicionaram contra Elza ter uma namorada afirmando que também é importante passar a mensagem de que uma mulher pode ser feliz sozinha.

Por mais que eu concorde que essa é uma mensagem muito importante para ensinar às meninas, o impacto que uma rainha da Disney ter uma namorada é muito grande e, acima de tudo, Elza ter uma namoradA não é a mesma coisa dela ter um namoradO.

**Atualização**

Algumas meninas me chamaram atenção no facebook de que a Elsa se tornou uma representação importante para as pessoas assexuais, e que durante o #GiveElsaAGirlfriend tiveram vários debates sobre isso. Eu acho muito legal que tantas pessoas tenham se identificado com a personagem de tantas maneiras. É importante sim levar em consideração que essa seria uma representação muito positiva, e não foi minha intenção diminuir a representação assexual, a minha questão aqui era a idéia patriarcal de que mulher só é feliz com alguém.

Particularmente acho que, seja qual for a representação, lésbica ou assexual, seria incrível ver isso na tela. Espero que, seja qual for a escolha da Disney (se ela for algo dentro dessa linha de representatividade sobre sexualidade), eu gostaria apenas de ver isso de uma maneira mais evidente para, de fato, firmar a representação assim como Korra o fez mesmo que delicadamente.

*Fim da Atualização*

Eu realmente acredito que mulheres podem ser felizes sozinhas, e que a gente não precisa se apoiar em alguém para descobrir a real felicidade. Mas também não consigo deixar de achar que Elsa ter um interesse romântico feminino seria um avanço muito importante.

Agora imagina se Elsa se apaixona por uma rainha negra da África com poder de fogo. A gente pode sonhar. 😉

 

  • Não sô a Grazi (@massafera)

    Me incomoda profundamente as pessoas encrencarem com essa idéia da Elsa ter uma namorada. Algumas justificativas são:

    “Precisamos mostrar que não é preciso ter alguém para ser feliz!” -> ignoram que a irmã Anna saiu casada do filme, e q um dos únicos filmes onde a moça não sai casada é Valente. Exceto onde o tema não gira em torno disso (como, sei lá, Irmão Urso ou A Nova Onda do Imperador).

    “A Merida tem muito mais cara de lésbica do que a Elsa” -> essa me dá comichões, porque bate no velho estereótipo de que lésbica é machona. Merida não é exatamente uma fancha, mas ela é muito menos feminina e “recatada” que Elsa. Qual o problema de Elsa, rainha, linda, dentro do “padrão feminilidade”, ser lésbica? “Ladys” existem, e elas são lindissimas! pacman emoticon

    “Isso ficaria ruim e apelativo” -> vão se foderem, Asami e Korra ficaram juntas no final de A Lenda de Korra: não foi forçado, não foi apelativo, foi lindo e eu chorei e gargalhei pq eu shippava loucamente no tumblr com a galera e a gente JAMAIS ACHOU que ia ser canon e ficamos sem saber como reagir, hahahahaha

    Elsa sapatã: quero, inclusive necessito.

  • Gislene

    …interessante, mas eu sugiro uma outra via, aquela em que nem a Elsa nem o Robin se interessem romanticamente por ninguém, simplesmente se bastam, ponto. Os vários profissionais do comportamento humano chamam de assexuados kkkk, pronto já encontraram sua tribo! A carência e a necessidade de “pertencer” nos leva a essa busca insana, ou somos isso, somos aquilo, pelo menos aprendemos assim né, e continuamos a busca louca. Somos seres multifacetados, multidimensionais, daí nos reduzimos a ser de alguém ou alguma sigla.

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