Ontem saiu a lista de indicados ao Oscar 2015 e, de acordo com a academia, 2014 foi um ano muito bom se você for um homem branco heterossexual.

A minha intenção não é, de maneira nenhuma, ridicularizar homens brancos heterossexuais cis. O que eu quero é discutir alguns dos porquês dessa premiação ser tão… tão… justa.

Cuidado: altos níveis de sarcasmo e ironia a partir daqui.

Nós vivemos em uma sociedade igualitária, onde homens e mulheres, independente de sua etnia, identidade de gênero e sexualidade, têm as mesmas oportunidades. Lá nos EUA então, onde os policiais deixaram de perseguir negros (a exemplo do Brasil) há muitas décadas, não tem dessa de “mas as minorias”. Não existem minorias.

Se uma pessoa não foi indicada ao Oscar, é apenas – e exclusivamente – por sua incapacidade. Ela falhou. Podia ter feito o quê? Podia ter nascido branca, homem, heterossexual e cis. Mas não. Tinha que ter insistido e nascido de outra etnia! Mas nessa sociedade, onde cinquenta por cento dos papéis de destaque nos filmes são femininos, onde o número de diretoras é equiparável ao de homens, e onde filmes dirigidos por ou de temática negra ganham o mesmo nível de atenção que aqueles dirigidos por pessoas brancas, não consigo entender os motivos dessa revolta.

Se você for nativo-americano então! Woa! Sabe qual o número de papéis para nativo-americanos em blockbusters em 2014? Um. Sabe de quem é a culpa? Da incompetência dos atores – óbvio! Se você não é bom o suficiente, como você espera ser chamado para interpretar qualquer tipo de personagem em um blockbuster?

Hollywood precisa dar sistematicamente papéis que originalmente são nativo-americanos para atores brancos porque existe uma verdadeira escassez de atrizes e atores competentes dessa etnia. É como se nativo americanos não dirigissem e nem atuassem em filmes independentes. Fica difícil gritar por igualdade quando você se recusa a participar do meio cultural. É foda.

Todos nós sabemos que o Oscar é uma premiação justa. Esses dados deixam bastante explícitos os números de homens e mulheres que compõem a academia. Mais uma vez, fica evidente que homens brancos, heterossexuais e cis são a maioria porque, se apenas eles fazem filmes, apenas eles vão se tornar membros da academia e eles vão votar neles. É uma coisa “cara vence, vota em cara e cara vence”. O que pode se dizer sobre isso?

Aliás, o que se pode fazer se esse ano nenhum filme onde brancos e caras heterossexuais resolvam o racismo ou a homofobia foi produzido? Em 87 anos de Oscars, dezoito negros foram indicados a melhor ator, três deles ganharam; dez mulheres negras foram indicadas a melhor atriz, uma delas ganhou e três diretores negros foram indicados, só que, infelizmente, nenhum deles era bom o suficiente. Fora que, nesses mesmos 87 anos, quatro mulheres foram indicadas a melhor diretoras e uma delas foi ganhadora. O fato delas serem brancas, obviamente, não tem NADA a ver com as poucas oportunidades que elas tiveram.

Outro gráfico muito importante para você entender que a culpa não vem da nossa sociedade, que fornece oportunidades iguais independente da sua etnia, identidade de gênero, sexualidade e origem, é esse gráfico sobre mulheres no mercado americano de filmes.

Viu? Acho que tá na hora de parar de choramingar que o Oscar 2015 excluiu mulheres e diretores de outras etnias dos prêmios de mais destaque. Primeiro, porque existe o prêmio de melhor filme estrangeiro, e os Estados Unidos é um país de origem branca, logo, se você não é branco você não é estadunidense. Segundo, porque a academia ser formada por homens brancos acima de sessenta anos não tem nada a ver com o fato de homens brancos continuarem sendo indicados à maioria dos prêmios. E, por fim, terceiro: nós somos todos humanos.

*Atualização*

Nossa, outro infográfico que ajuda a provar que é tudo mimimi:

via Lee and Low Books

Flws. Vlws.

Obs.: caso não tenha ficado óbvio – este é um texto sarcástico. 😉

%d blogueiros gostam disto: