Qual é a melhor maneira de se desnaturalizar comportamentos nocivos? Existem milhões de respostas para essa pergunta, milhares de possibilidades e centenas de artifícios. Mas, quanto mais lidamos com pessoas, mais percebemos que, para chegar de fato até elas, para se fazer ouvir de verdade, é necessário se fazer presente em sua vida cotidiana. A mudança real vem de dentro.

Em 2006, Drew Crecente, morador de Atlanta nos Estados Unidos, viveu de perto o extremo das consequências que um relacionamento abusivo pode gerar. Drew perdeu sua filha, Jennifer, assassinada por um ex-namorado. Decidiu então transformar a dor em luta e fundou a organização Jennifer Ann’s Group, cujo principal objetivo é conscientizar adolescentes e jovens adultos sobre esse tipo de relacionamento e permitir que eles tenham as ferramentas necessárias para identificar e evitar a violência.

“Decidi criar o Jannifer Ann’s Group pouco depois do assassinato de minha filha. Embora eu me considere um pai consciente, eu não tinha ideia de que relacionamentos abusivos fossem tão comuns”, contou Crescente. “Nos Estados Unidos, 44% de todos os estudantes afirmam passar por pelo menos um relacionamento abusivo até o momento em que se formam na faculdade. Além disso, 81% dos pais não sabem que o problema existe.”

Crecente contou para o Collant que, no início do trabalho da organização, o contato com o público alvo era realizado por meio de material impresso enviado para as escolas. Apesar de ser possível atingir resultados dessa forma, os custos gerados estavam começando a impossibilitar o sucesso da iniciativa.

Em 2008 surgiu a ideia de buscar um meio que, além de reduzir custos, também possibilitasse atingir os jovens de forma mais eficiente. “Pensei em mim mesmo com 14 ou 15 anos e percebi que, para aprender sobre temas complexos como esse, eu preferiria os jogos a ler ou assistir vídeos sobre o assunto”, contou. Surgiu então a iniciativa “Gaming Against Violence”.

Por sua impossibilidade de produzir um jogo próprio, Drew decidiu criar um desafio de desenvolvimento (seguindo os moldes das game jams) tendo os relacionamentos abusivos como tema. Em 15 de fevereiro de 2008, aniversário de morte de Jennifer, teve início o que se tornou um evento anual de desenvolvimento de jogos que já gerou mais de 30 obras de conscientização nos últimos quase 10 anos.

Crecente afirma que os jogos são a ferramenta ideal, já que as pessoas tendem a aprender de forma mais rápida e definitiva com instrumentos interativos do que com textos e vídeos. Essa interatividade permite que os jovens “experimentem” até certo nível a vivência da violência sem ter que passar de verdade. “Conteúdo estático não pode se ajustar ou responder ao leitor da mesma forma que os videogames”, observou.

Além do desafio de desenvolvimento de games, a Jennifer Ann’s Group mantém o envio de material para as escolas e realiza palestras com psicólogos sobre os perigos dos relacionamentos abusivos. “Nós também temos um programa de conscientização on-line, composto por vários sites e presente em várias plataformas de mídias sociais”, lembrou Crecente.

Os jogos estão disponíveis de forma gratuita (alguns, inclusive, para dispositivos móveis) e você pode conferir alguns deles nos links abaixo.

Grace’s Diary (2010,Tailândia)


Este jogo é um dos queridinhos do público (e da imprensa) segundo Drew Crecente. O foco aqui é ensinar às pessoas como devem agir quando acharem que um conhecido está em perigo.

 

The Guardian (2014, Argentina)

Disponível em inglês e espanhol para dispositivos Android, The Guardian faz um ótimo trabalho mostrando que homens também podem ser vítima de relacionamentos abusivos.

 

Another Chance (2015, Bélgica)

Com um clima que lembra muito o universo de Zelda, este RPG está disponível em inglês e francês. Ele conta com um mapa que mostra onde estão os outros jogadores, lembrando ao jogador que ele não está sozinho.

 

HONEYMOON (2016, Inglaterra)

Um dating sim que permite ao jogador selecionar seu gênero e o gênero do parceiro, lembrando que relacionamentos abusivos podem acontecer independente de sua orientação sexual.

 

Os jogos desenvolvidos neste ano tem como tema o consentimento e estarão disponíveis para jogar a partir de junho neste link. O vencedor de 2017 receberá uma premiação de 10 mil dólares.

 

 

Atenção desenvolvedores

Você também pode participar da iniciativa! Para saber todas as novidades e receber notificações do próximo desafio, basta se cadastrar clicando aqui.

 

 


Conheça melhor a Jennifer Ann’s Group

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