Autora Convidada: Patrícia Machado

Animes feitos para o público feminino sofrem de uma maldição: são minoria e enfrentam preconceitos dos próprios fãs. É um verdadeiro trabalho de formiguinha mostrar aos outros que nem tudo é romance colegial.

Por isso montei uma pequena lista de animes baseados em ótimos mangás shoujo e josei. Também coloquei animações originais com mulheres responsáveis pela criação. Para quem não é familiar com os nomes, aqui vão as definições:

Shoujo (少女) – Mangás feitos para o público feminino jovem, que abrange, em média, leitoras dos 12 aos 18 anos.

Josei (女性)- Mangás feitos para o público feminino adulto, voltados para leitoras acima dos 20 anos.

Todos eles estão disponíveis legalmente aqui no Brasil através do Crunchyroll, um serviço de streaming de animes que é uma mistura de Netflix e Spotify.

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Natsume Yuujinchou

Shoujo

Nº de episódios: 52

Desde que se lembra, Takashi Natsume tem a capacidade de enxergar criaturas do outro mundo, conhecidos como Youkai. Sua falecida avó também tinha esses poderes e criou o Yuujinchou, “Livro dos Amigos”, que contem os nomes de vários espíritos que estão sob o controle dela. Agora que em posse do livro, Natsume decide libertar todos os Youkais que vem assombrá-lo em busca de liberdade.

Só que Natsume, vivendo agora com parentes distantes após tornar-se órfão, deseja apenas um lugar para poder chamar de lar.

Natsume Yuujinchou é como uma tarde chuvosa de inverno acompanhada de um cobertor e  chá quentinho, aconchegante e irresistível. Comecei a assistir esse anime por um motivo besta – sou fangirl do dublador do protagonista, Hiroshi Kamiya – e acabei encontrando um dos meus animes favoritos. É um slice-of-life sobrenatural encantador do início ao fim e não foram poucos os momentos que eu chorei, seja de alegria ou qualquer outra coisa.

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Akatsuki no Yona

Shoujo

Nº de episódios: 24

Yona é uma princesa que sempre viveu no luxo, em um reino pacífico, e cuja maiores preocupações são o seu cabelo de cor incomum e se casar com seu primo, Su-won.  

Só que, logo após o seu aniversário, ela perde tudo e é obrigada a fugir junto com Son Hak, seu guarda-costas e amigo de infância. A inocente princesa logo descobre que o seu reino não é tão maravilhoso como seu pai dissera – pobreza, conflitos internos, e corrupção estão por toda parte -, e decide consertar tudo com suas próprias mãos. Só que, para conseguir o reino de volta, precisará da ajuda dos quatro dragões lendários.

Poderia me rasgar de elogios por esse anime, mas sei que o Collant está preparando uma resenha sobre ele. Vou só dizer que nada mais me faz mais feliz que uma história épica que NÃO se passe numa Europa medieval genérica. Akatsuki no Yona pega elementos e lendas da cultura coreana para criar seu universo, o que torna tudo mais interessante.  

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Polar Bear Café

Josei

Nº de episódios: 50

Um sitcom sobre um urso polar canadense que resolve abrir uma Cafeteria depois de desistir do seu emprego no zoológico, que também adora se gabar e contar histórias. De acordo com o que ele diz, foi adotado por um casal de humanos quando estava ilhado em um iceberg. A história foca no dia a dia dele junto com os clientes – que incluem um panda, um pinguim, e uma lhama.   

Eu adoro comédias japonesas. Se essa sinopse não te convenceu ainda, não sei o que mais te dizer.

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Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu

Josei

Nº de episódios: 12 (previstos)

Japão, década de 70. Quando um homem é libertado da prisão, ele sabe exatamente para onde deve ir. Após se apaixonar pelo Rakugo – um estilo tradicional japonês de contar histórias cômicas – ele decide se tornar aprendiz de Yakumo, um famoso perfomista de rakugo. Yakumo, que nunca tive um aluno antes, decide “adotar” o ex-delinquente, para a surpresa de todos, e o apelida de Yotaro (tolo).

Yotaro, feliz,  passa a morar na casa de seu mestre e conhece mais sobre a vida dele. Como seu trágico passado e Konatsu, filha de um famoso apresentador de rakugo, que foi adotada por Yakumo após a morte dos pais. A jovem adoraria apresentar rakugo igual seu pai, mas esse caminho não é possível para as mulheres.

Esse ainda está em exibição no Japão, mas não hesito em dizer que é um dos melhores animes de 2016. Ele está em outro nível comparado aos animes normais, feitos para o público juvenil, e posso compara-lo a seriados premiados como Mad Men no quesito storytelling e direção.

Assistir Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu é uma experiência. É engraçado, bonito, trágico e um drama histórico que eu recomendo para todos.

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Shirobako

Original

Nº de episódios: 25

Aoi nunca se esqueceu do dia que ela e suas amigas conseguiram criar com muito amor e esforço um anime para mostrar no festival da escola. Essa experiência foi marcante para que todas elas decidissem trabalhar na indústria de animes. Só que, dois anos depois, Aoi está trabalhando como produtora assistente num estúdio de animação e desanima-se com a realidade dura do seu trabalho. Porém, ela não desiste da promessa que fez no ensino médio: de que um dia ela e todas as suas amigas trabalhariam na produção de uma animação juntas como profissionais.

Se você tem o mínimo interesse pelo processo de produção dos animes, veja Shirobako – uma carta de amor as animações japonesas. O roteiro é de Reiko Yoshida (K-on!, Kaleido Star, Non Non Biyori) que consegue ser deixar tudo interessante mesmo quando se está despejando uma quantidade enorme de detalhes sobre a produção dos animes para o público. Sem falar que temos um núcleo de protagonistas mulheres, mais coadjuvantes femininas incríveis, o que dá a chance para soltar algumas alfinetadas sobre o machismo no mercado de trabalho japonês.

Mas também recomendo para todos que tem 20 e poucos anos e estão tentando descobrir seu lugar no mundo, com dúvidas se tomaram a decisão certa no meio do caminho. Porque acredito que esse anime pode ressoar tão forte para vocês quanto foi para mim.

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Kyousougiga

Original

Nº de episódios: 10

Escondida em Quioto está a “capital do espelho”, uma cidade onde Youkais e humanos vivem em harmonia e ninguém nunca morre. O lugar é protegido por três pessoas – Kurama, Yase, e Miyoue – enquanto esperam o retorno dos seus pais, Myouen Jonin e Koto. Um dia, uma garota chamada Koto (mesma pronúncia, escrita diferente) e seus irmãos mais novos A e Un, vindos de uma outra dimensão, vagueiam pela cidade em busca da mãe. Dizem que ela é um robô gigante verde com olhos vermelhos, e não é claro se ela é uma humana ou uma Youkai. A chegada de Koto ameaça a paz que existia na cidade até então.

Esse é para quem está procurando algo bem diferente. O roteiro é de Miho Maruo (School Rumble, Sarusuberi: Miss Hokusai) e foi a estreia de Rie Matsumoto (Kekkai Sensen, Saint Seiya Omega) como diretora. Rie chama atenção com um direção rápida, cheia de cortes e nem sempre linear. A animação nem é lá essas coisas, mas abusa das cores, uma ótima trilha sonora e uma boa história sobre a importância da família para criar um espetáculo visual capaz de fisgar os fãs de anime.

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Patrícia Machado

22 anos. Dona de imensos 1,55m. Gosta de música oriental, ocidental e acidental. Viciada em BL, twitter e coca-cola. Sonha em ser editora de quadrinhos. @dopocoke

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