Já faz alguns anos que a discussão sobre a representatividade de mulheres na cultura pop tem ganhado força. Cada vez mais, o público pede por mulheres como protagonistas ou com papéis importantes. E parece que algumas produções de fato ouviram esses pedidos. Nos últimos tempos, tivemos alguns casos de representações femininas interessantes em certas franquias: Star Wars, Mad Max, Caça-Fantasmas, etc.

Não só parece que a situação melhorou um pouco, os números mostram que de fato há certas mudanças acontecendo. De acordo com um estudo realizado pelo Centro para Estudo de Mulheres na Televisão e Cinema da Universidade de San Diego, 29% dos protagonistas das maiores bilheterias de 2016 são mulheres. Foi um aumento de 7% se comparado com os números de 2015, além de ser uma marca histórica.

Isso é, de certa forma, um reflexo de tudo que tem sido debatido ultimamente, mas há outros aspectos que podem ter influenciado esse aumento. Na indústria do cinema, nomes grandes como Jennifer Lawrence e Jessica Chastain já falaram sobre a diferença salarial entre homens e mulheres em Hollywood. Isso sem contar todas as reclamações que o público tem feito sobre como a mídia trata atrizes de forma machista, principalmente durante premiações. É aquela velha história: Enquanto para o cara perguntam sobre a atuação, para a mulher perguntam sobre a roupa.

Em época de Oscar, podemos também ver as mudanças entre alguns dos indicados. Em A Chegada, temos uma mulher protagonista dentro da ficção científica, um gênero ainda encarado por muitos como “para homens”. Estrelas Além do Tempo, um dos melhores filmes do ano, é focado na história de três mulheres negras que trouxeram grandes avanços para a NASA. A protagonista que lidera o grupo rebelde em Rogue One é uma mulher e obviamente não podemos esquecer de Moana, a nova adaptação da Disney.

Essas personagens mulheres não estão focadas em apenas um gênero do cinema. Elas estão em sua maioria nos filmes de comédia e de drama, aparecendo com menor frequência em filmes de ação, onde compõe apenas 3% dos papéis principais do gênero.

Então parece que é isso, né? Pedimos mudanças e conseguimos. Problema resolvido. Ou não.

O número de mulheres atrás das câmeras ainda é muito pequeno. Nos grandes estúdios, apenas 7% dos filmes foram dirigidos por mulheres em 2016, um número inferior ao do ano anterior. Isso sem contar que, na maioria dos grandes filmes, a equipe criativa ainda é majoritariamente masculina.

Há outro dado interessante no estudo. Em filmes dirigidos por mulheres, 57% dos papéis principais eram de personagens femininas, enquanto em filmes dirigidos por homens esse número cai para 18%. As porcentagens ficam ainda menores quando procuramos por mulheres negras nesses papéis.

É possível tirar algumas conclusões desses números. Primeiro que, por mais que o número de mulheres protagonistas tenha aumentado, e isso é ótimo, 29% ainda não é um número bom, principalmente quando a maioria dessas personagens são mulheres consideradas dentro do padrão. Não adianta nada mudar um pouco as coisas na frente da câmera, quando nos estúdios as mulheres não possuem as mesmas chances de emprego que os homens.

Aumentar a representatividade é bom, mas não é o suficiente. As mudanças precisam acontecer na indústria toda, até porque, como os números apontam, quanto mais mulheres trabalhando nas equipes criativas dos filmes, maiores as chances delas serem representadas diante das telas. E bem representadas, o que também é importante, não adianta ter uma mulher protagonista que é um estereótipo ambulante. Esquadrão Suicida tinha mulheres no elenco, mas todas elas tinham problemas bem sérios de construções estereotipadas.

Então é bom que essas discussões continuem acontecendo, até porque ainda tem uma parte do público que continua achando que não tem nenhum problema em só ter homens padrões como protagonistas. E também para que mais mulheres entrem na indústria, eu quero ver personagens mulheres nas telas, mas eu também quero mulheres reais trabalhando nessa área que ainda é muito dominada por homens. Essa pesquisa é um bom exemplo para mostrar que sim, algumas coisas melhoraram, mas ainda há muita coisa para mudar na indústria cinematográfica.

Via Variety

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