O Collant começa 2017 olhando para o ano passado e escolhendo quais foram, para as nossas colaboradoras, as produções da cultura pop que mais se destacaram. Filmes, séries, animes, jogos e quadrinhos, quais deles foram os seus favoritos?

Maria Celina Gil 

Filme: A Bruxa

Um filme que as pessoas entravam na sala esperando ser de terror, mas saíam meio estarrecidas. A fotografia em luz e sombra cria um clima de tensão e o roteiro discute religiosidade e questões de gênero (ainda muito atuais).

Série: Orphan Black

A série já tinha saído há algum tempo mas eu só fui ver esse ano. Gosto muito do tema da clonagem e da crença cega na ciência; a série também discute pontos importantes como a questão da autonomia das pessoas sobre seus próprios corpos.

Livro: Vozes de Tchernóbil, da Svetlana Aleksiévitch.

O livro conta sobre o desastre em Tchernóbil sob o ponto de vista de pessoas que o viveram. É todo contado em depoimentos e tem o primeiro capítulo mais incrível que eu li nos últimos tempos. Svetlana ganhou o Nobel de Literatura recentemente, tendo sido uma das poucas pessoas a ganhar o prêmio com uma carreira em livros de não-ficção.

Brendda Lima

Filme: Caça-Fantasmas

A produção foi cercada de polêmicas e ódio gratuito antes mesmo de ir às telas, mas eu me diverti muito vendo mulheres caçando fantasmas, fazendo piadas com comentários machistas, sem mencionar o Chris Hemsworth como abajour sexy. O filme respeita a trilogia original e se adapta ao contexto atual de maneira mega divertida. Me rendeu várias gargalhadas e a sensação de que estava vendo o filme na sessão da tarde.

Série: The Get Down

Essa série me conquistou pelo trailler. A história se passa em 1977 e mostra como era a vida de jovens não brancos do sul do Bronx em meio a pobreza, violência e descaso das autoridades. Toda narrativa se desenvolve tendo como plano de fundo o surgimento da cultura hiphop.
A série tem um visual fantástico, é repleta de menções a acontecimentos históricos e o espectador consegue facilmente se identificar com os sonhos dos personagens. Terminei a primeira temporada precisando de mais episódios.

Quadrinho Nacional: Cais

Cais foi um dos quadrinhos que mais me impactou, no final do ano. A narrativa intimista de Janaína Luna (Editora da Mino) apresenta Diana, seus sentimentos densos e seu medo de perder o amado. O texto me tocou muito e desenhos de Pedro Cobiaco reforçaram o tom poético do quadrinho.

Quadrinho Internacional: Motor Crush

Publicado pela Image Comics, tem como equipe criativa Babs Tarr, Brenden Fletcher, Cameron Stewart. SIM! Os mesmo autores de Batgirl de Burnside <3
A história é um sci-fi protagonizado por uma mina furiosa, a Domino Swift, piloto profissional de moto que nas horas vagas detona tudo em corridas ilegais na vibe só o melhor sobrevive. O quadrinho ainda tá na sua primeira edição e eu tô animada pra ler o que vem por ai *-*

Renata Alvetti

Filme: Rogue One

Nem preciso falar né? Storyline e personagens mega cativantes. Bem construído e Inteligente.

Séire: Crazyheads

Humor britânico inteligente encontra o supernatural, com duas protagonistas maravilhosas no volante. Como não amar?

Clarice França

Melhor filme: A Chegada


Esse ano tiveram alguns filmes muito bons, não foi fácil escolher, mas fico com A Chegada. Talvez a produção dele não seja a melhor do ano, mas é um filme surpreendente, que dá um ar novo para muita coisa que vemos na ficção científica. Não é só o fato de a protagonista ser uma linguista, mas sim como a história trata esse primeiro contato com alienígenas. Há toda uma mensagem no filme sobre comunicação, tentar entender o que é diferente e ter perspectivas novas de certas coisas. Sem contar que a virada na história é de explodir cabeças. O filme escolhe ir para um lado mais pessoal do que para uma grande aventura. Isso para alguns pode parecer uma falha, mas para mim é um dos aspectos que faz o filme ser ótimo e surpreendente.

Melhor série: Black Mirror


Eu sou apaixonada por Black Mirror há algum tempo. Esse ano tiveram alguns lançamentos bem legais nas séries, mas foi a terceira temporada de Black Mirror que mais me marcou. Não é uma série legal para todo mundo, ela é incômoda e talvez exatamente por isso eu goste tanto. Essa terceira temporada deu uma amenizada em alguns aspectos mais pesados. Teve seus defeitos, melhorou algumas coisas e entregou um episódio que, para mim, foi um dos melhores do ano (San Junipero). Sem contar que, talvez pela mão da Netflix, Black Mirror mostra cada vez mais uma preocupação com representatividade. É uma série que te faz pensar muito, não é todo mundo que tem que gostar e há motivos de sobra para alguém não assistir, mas para quem curte essas coisas, como eu, Black Mirror é uma viagem.
“Ah, mas Black Mirror nem é tão bom, virou moda…” Então eu sou modinha, paciência ¯\_(ツ)_/¯

Melhor jogo: Overwatch



Essa categoria é meio complicada, a maioria dos jogos que joguei esse ano não foram lançamentos. O novo jogo da Blizzard conquistou muitas pessoas, tem uma mecânica muito boa e dá para ver que a empresa quer melhorar a experiência para os jogadores cada vez mais. Overwatch tem uma variedade muito legal de personagens, não só nas classes de combate, mas também na aparência e outras características. A Blizzard também expande o universo de Overwatch para as animações e quadrinhos, então mesmo se você é um jogador que, como eu, gosta muito de história, a experiência ainda será divertida. Eu normalmente não gosto de jogos como Overwatch, mas a Blizzard me conquistou.
Agora, caso queiram saber, o melhor jogo que joguei esse ano, mesmo não sendo de 2016, é Undertale.

Melhor quadrinho: Nimona
O melhor do ano, um dos melhores da vida. Nimona me pareceu ótimo quando me contaram sobre o que era e a história não me decepcionou em nada. O quadrinho é tudo de bom, com as coisas que eu mais gosto: Nimona é uma vilã, a história mistura elementos de fantasia com ficção científica, tem humor sem exagerar, um roteiro bem redondo, mensagens ótimas e ships. Não tinha como eu não amar. Nimona é muito esperto em brincar com os papéis de heróis e vilões, faz algumas críticas bem interessantes. Tudo isso de forma muito leve, com personagens muito bem construídos e uma história que simplesmente não dá para largar antes de chegar até o final. Sério, você precisa ler Nimona.

Melhor livro: O Feiticeiro de Terramar


O livro não é desse ano, mas foi lançado pela Arqueiro esse ano, com uma capa maravilhosa da Ursula Dorada. Assim como nos jogos, eu acabei não lendo muitos livros lançados em 2016, mas esse é com certeza um dos livros que mais gostei, então O Feiticeiro de Terramar ganhou seu lugar aqui. Esse livro me mostrou outras possibilidades de escrever fantasia medieval. Por mais que a leitura seja densa, a autora manda muito bem e apresenta um mundo incrível, um personagem com um arco muito bem escrito e ótimo para quem ama esse gênero. Apesar do primeiro livro ainda ter problemas com personagens mulheres, sei que a autora foi ganhando consciência sobre representação e melhorando ao longo da saga, então por mais que nesse aspecto ainda falte, sei que vai ficar melhor. É incrível, nunca tinha lido nada da Ursula K. Le Guin, sei que as pessoas a conhecem mais hoje pela A Mão Esquerda da Escuridão (que ainda lerei), mas fiquei feliz de conhecer essa autora pela sua escrita de fantasia.

Melhor anime: Yuri!!! On Ice


O que dizer desse anime que conheci há pouco tempo e já amo pacas? Yuri!!! On Ice, como já falei aqui no Collant há pouco tempo, foi uma das maiores surpresas do ano. É um anime que vai muito além de patinação no gelo. Tem personagens cativantes, uma história que deixa todo mundo torcendo e um protagonista que conquista o público. Yuri!!! On ice fala sobre não desistir, seguir em frente, ao mesmo tempo em que constrói uma das relações mais lindas e bem feitas que vi em um anime. Yuri!!! On Ice também manda bem na representação e, mesmo com apenas uma temporada, o anime já tem muitos fãs que querem outras temporadas para continuar a história. Sem contar que a abertura é maravilhosa, a cena final é linda e Vikturi é um dos ships mais fofo de todos.

Rebeca Puig

Melhor Filme: Rogue One

Essa foi a mais difícil, porque decidir qual é o meu filme favorito quer dizer deixar de fora todos os meus outros filmes favoritos. E eu não gosto de comparar filmes que são extremamente diferentes em sua essência, como A Chegada e Rogue One. Apesar de serem filmes de ficção científica, são quase dois gêneros diferentes dentro de um maior. É tudo muito lindo e confuso, mas a real é que foi Rogue One que me fez chorar rios no cinema. Então é isso.

Melhor Série: Luke Cage

Eu tenho muitos problemas com a narrativa em Luke Cage, tantos que eu nunca consegui terminar a minha crítica sobre a série. Mas Luke Cage é muito mais do que a qualidade narrativa, a série possui personagens interessantes, personagens inéditos no mundo dos super-heróis, representações que a gente nunca viu antes. Mesmo que a série se perca tentando contar mais linhas narrativas do que deveria, as muitas histórias que a série mostra são muito legais e mereciam mais espaço. Mas com certeza Luke Cage foi a série que mais me chamou atenção em 2016.

Melhor Jogo: Overwatch

Se eu indicasse qualquer outro jogo seria uma mentira deslavada, já que Overwatch ocupou cerca de 90% do meu tempo livre em 2016. Eu amo a jogabilidade, eu amo o fato de ser online (apesar de eu nunca ter jogado online antes), eu amo as personagens femininas e a diversidade de corpos que elas apresentam. Eu amo a D.i.v.a e eu amo/sou o Junkrat. Overwatch veio num momento em que eu não tinha vontade de sair da cama, e me fez mudar pro sofá e foi maravilhoso.

Melhor Dorama: Hello, My Twenties (Age of  Youth)

Eu já falei sobre como Hello, My Twenties é maravilhoso, mas vale relembrar que parte da razão para ele ser o melhor Dorama de 2016 vem das personagens que são diversas em personalidades e em dramas pessoais. É difícil achar mesmo em obras ocidentais consideradas mais modernas do ponto de vista narrativo a diversidade de personalidade que Hello, My Twenties mostra. A série também tem a melhor construção de um relacionamento abusivo que eu já vi em qualquer obra, eu realmente nunca tinha visto a problematização desses relacionamentos serem feitas como o Dorama fez.

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