Muito tem se falado sobre como Quarteto Fantástico (2015) é um filme ruim. No quesito estrutura e falhas de roteiro há muito pouco para ser discutido que já não tenha sido falado à exaustão, mas tem uma coisa que muita gente parece ter esquecido de comentar: Sue Storm e como ela quase foi usurpada por seus companheiros de pesquisa.

ADIVINHA qual dos personagens tá de ladinho/semi-butt pose?

O filme começa e de cara ele já quer que você acredite que Reed e Ben (Miles Teller e Jamie Bell) estão no colegial apesar dos dois atores terem, obviamente, mais do que 25 anos. Aí Reed consegue a bolsa na Baxter e vai trabalhar na equipe de Sue, ao lado de Doom e de um contrariado Jhonny. Belê.

Quando eles conseguem transportar o macaco para o outro lado com sucesso e o Exército aparece dizendo “Yo, agora é nóis”, os rapazes ficam afogando a frustração dentro de um frasco de bebida (que, aliás, deve ser o correspondente alcóolico da bolsa da Mery Poppins pra que todo mundo fique altinho com aquela quantidade de álcool).

É nesse momento de brotheragem que Reed tem a ideia de eles mesmos irem para o outro lado, rogue style, sem ninguém saber. Vai ser tão rápido que ninguém vai ter se quer notado que eles foram. Vai ser lindo e vai ser incrível. Todo mundo topa, mas Reed diz que eles não pode ir sem… o Ben?


Calma, eu devo ter perdido alguma coisa. Sim, o filme passou um bom tempo me dizendo que Ben é o melhor amigo de Reed, ele ajudava Reed a ligar e desligar o aparelho caseiro de viagem inter-realidades… Mas e daí? O que fez dele merecedor dessa oportunidade de ter o seu nome marcado na história da humanidade como um dos primeiros seres humanos a cruzarem a fronteira interdimensional?

“YO! VAMOS FAZER A VIAGEM DOS BROTHER! VAMOS MARCAR NOSSOS NOMES NA HISTORIA! VAMOS VIAJAR PRA OUTRA DIMENSAO, YO! PORQUE VIAGEM INTERDIMENCIONAL BOA E VIAGEM DE BROTHER!”

Aí os migos vão viajar e dá merda. Nesse meio tempo Sue descobre “que os meninos aprontaram” e precisa sair correndo para tentar ajuda-los. Ela consegue trazê-los de volta e BAM – se ferra no processo.

SUE STORM, aquela cientista maravilhosa, reconhecedora de padrões, que está no projeto desde antes de Reed, que enquanto os migos ficavam afogando as mágoas no álcool voltou pro trabalho e foi atrás do pai e do exército pra tentar resolver as coisas NEM FOI LEMBRADA. Porque né? Minas não se divertem como caras. Minas não entendem a importância de ter seu nome marcado na HISTORIA DA HUMANIDADE. Minas não querem fazer viagens interdimensionais.

OU SEJA, Sue não só foi excluída da tentativa de receber os méritos por seus trabalhos, como também se ferrou no processo. A biografia de quase toda grande cientista da história da humanidade. Seria ótimo se isso fosse uma crítica - mas não é.

Tem mais uma coisa que eu quero dizer sobre a Sue, mas vou me limitar a uma frase: Sue é a única mulher da equipe centram de cientistas, é um gênio de reconhecimento de padrões, e ficou responsável por… Fazer os uniformes.

Fora isso, fico muito triste que um filme que se esforçou tanto para ser tão inclusivo na diversidade étnica tenha tido um fim tão miserável. Pelo que tenho lido e escutado o Quarteto Fantástico do diretor Josh Trank realmente era um filme melhor (mesmo que eu duvide que Sue teria uma participação mais justa na versão original), mas nós nunca vamos saber ao certo o que poderia ter sido.

PS: Fica ainda o principal mistério do filme: de onde Doom tirou o tecido pra fazer aquela capa com capuz dele? 😉

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