Compartilhei isso no meu facebook, mas como nem todo mundo que vêm olhar o blog pode ver o meu facebook resolvi postar por aqui também, e aproveitei para dar mais uma refletida sobre o assunto. 🙂

Fiquei pensando muito sobre como a gente camufla homo e transfobia sob uma camada de “aceitação”. É o tipo de coisa que muitas vezes não acontece porque a pessoa é má e tem a intenção de excluir os trans ou homosexuais do mundo, mas por que tá arraigado dentro da nossa sociedade e dos nosos pré-conceitos do que é o bendito “ser normal”. É difícil quebrar essa redoma tão perfeita em que a gente vive, que vem sendo talhada a tanto tempo e que funciona perfeitamente em uma sociedade que privilegia quem é cis e hetero.

Caso você não saiba muito bem o que significa ser cis e hetero: Eu sou cis, pois nasci em sintonia com o gênero que me foi atribuído no nascimento. Trans é a pessoa que se identifica ao longo da vida com um gênero diferente daquele que lhe foi atribuido quando nasceu. É um pouco complexo, eu sei. Mas faz parte de quebrar aquela redoma.

Quando você diz que não é obrigado a aceitar a opção sexual de ninguém, tem pelo menos duas coisas erradas com a frase.
Primeiro que o termo opção sexual não é o correto, já que ninguém opta em algum determinado momento por ser gay. O termo correto é orientação sexual.

“Era quinta-feira, o dia estava razoavelmente quente. Olhei no relógio e tomei a decisão. Sou gay.” ¬¬

Segundo que ao falar que você precisa aceitar ou não a orientação do outro, você parte do princípio de que essa pessoa precisa da sua autorização para ser homossexual e livre. O que é, obviamente, um erro. A orientação sexual de alguém não depende da aprovação de ninguém. O máximo que você pode fazer é não entender. Afinal, ninguém precisou te dizer que aceitava você ser heterossexual.

“Mãe… PaiSociedade… Pessoas com quem eu trabalho… Amigos… Conhecidos… Moço da padaria… Eu preciso dizer uma coisa. Sou Hetero.” ¬¬

Se você tá se perguntando quantas vezes você precisa se assumir caso seja gay, fica a dica de um vídeo. Eles também falam sobre todas as vezes em que você precisa se assuir como heterossexual.

Se se assumir como homessexual já é um processo tão difícil, imagina dizer ao mundo que você é trans? É uma droga que ainda seja necessário contar para alguém que você finalmente se encontrou. Quando eu me sinto perdida não preciso contar para ninguém que achei meu momento de paz interior. E quando alguém se assume Trans, isso muitas vezes quer dizer que vai começar a receber um monte de raiva e ódio sem razão.

Se você precisa de um pouco mais de ajuda para entender o que é TRANS e o que é CIS, ou se só quer ler mais sobre o assunto, vou deixar uns links aqui:

Texto sobre as diferenças entre sexualidade e identidade de gênero.

Documentário de 1 hora sobre uma menina que transicionou enquanto ainda era criança. É lindo, prepare os lenços.

É legal notar também que essa dicotomia de gêneros nem sempre foi o padrão. Existiram culturas pré-colombianas na América do Norte em que o gênero era decidido ao longo da vida. Mais para frente eu faço outro post falando um pouco mais sobre isso – já que é uma informação nova para mim também.

Ninguém precisa da aprovação de ninguém para ser quem é. É importante que a gente entenda isso. Ser gay ou trans não ofende ninguém. Odiar alguém por ser quem ela é, sim.

🙂

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