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Um dos melhores filmes que já vi, Incêndios é sobre Narwal Marwan, uma mulher cristã em meio à Guerra Civil do Líbano, quando muçulmanos matavam cristãos e vice versa por motivos políticos. E é papel dos filhos de Narwal descobrirem seu passado e onde estão seu irmão e pai.

A protagonista, apesar de fazer parte de um sistema de patriarcado claramente marcado, como é o caso do Oriente Médio, consegue ser extremamente corajosa e independente em tudo o que faz, apesar do machismo que sofre e eu a respeito muito por causa disso.

Inicialmente, Narwal morava com sua avó e irmãos num vilarejo. Seus irmãos eram os chefes da família, como é de costume. Contudo, a protagonista é mandada embora quando seu relacionamento com um judeu é descoberto. A partir daí, Narwal constrói seu próprio caminho sem um homem para guia-la, sem ninguém para impedi-la de seguir seus instintos e vontades, sem “chefes de família” para ditar com quem ela deve ficar. Mas Narwal, ainda assim, sofre por ser mulher e independente. Seu único objetivo, na verdade, é achar seu filho, fruto de seu relacionamento.

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Narwal à procura do filho

Há uma parte do filme que mostra muito a coragem da personagem: ela, ao entrar infiltrada na casa do líder dos chamados Nacionalistas (já que desistira da procura pelo filho), é constantemente “cantada” pelos porteiros do lugar. Pedem que saia com eles, mas ela, inflexível, responde que não. Quando dizem que estão perdendo a paciência, Narwal responde: “eu também”. A personagem se põe em pé de igualdade, apesar dos assédios, o que eu acho fenomenal.

Após muito ter se passado, Narwal é feita presa política por ter matado o líder citado acima. Enquanto na cadeia, ela se mostra uma mulher forte. Citando um personagem do filme, “fizeram tudo para dobrá-la, mas ela continuava de pé, olhando nos olhos deles”.

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segundos antes do assassinato

Mais tarde, também como forma de resistência na prisão, Narwal começa a cantar. Talvez também possa ser um possível ato de se manter sã, dadas as condições. Mas então chega um torturador na prisão. E ela sofre violência física e sexual inúmeras vezes. Claramente uma tentativa de rebaixa-la, fazendo com que Narwal abaixasse a cabeça para os homens que a mantém presa, tornando-a o que o patriarcado impõe: submissa. Mesmo assim, Narwal continuava cantando.

Infelizmente, ela foi vítima do machismo, tanto emocionalmente – ao longo do filme -, quanto fisicamente. É importante ressaltar que, muitas mulheres, lamentavelmente, são como Narwal, independentemente de sua posição geográfica: apesar de se mostrarem fortes e independentes, ainda são vítimas, e a culpa não é delas.

É uma personagem que me serve de inspiração. Ela, por ser uma mulher livre, foi expulsa da família, mas se tornou autônoma e nunca se mostrou submissa a um homem, apesar das tentativas. Mesmo com as inúmeras violências sofridas, e a carga psicológica pesada que vem junto, ela ainda assim tenta se manter forte, apesar de sofrer com o machismo.

Narwal é, com certeza, uma personagem complexa, e eu a respeito imensamente, assim como o diretor, Denis Villeneuve, pelo filme tão emocionante e pela personagem tão bem trabalhada. Adoraria que houvessem mais personagens tão fortes quanto ela.

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