Este texto não possui spoilers.

Strong Woman Do Bong Soon é um dorama sul-coreano que acompanha a história de Do Bong Soon (Park Bo-Young), uma jovem de 27 anos, desempregada, que possui o sonho de desenvolver um game com a personagem que ela criou, Fulana. Por fora não há nada fora do comum em Bong Soon, mas ela esconde um segredo: possui uma super-força descomunal.

O poder de Bong Soon é hereditário, todas as mulheres que nascem na sua família recebem este poder. Elas devem usá-lo para proteger a si mesmas, à outras mulheres e à outras pessoas frágeis dos perigos e maus do mundo. Elas nunca podem usá-lo para proveito próprio e nem para ferir um inocente, caso contrário serão punidas com a perda do dom.

Externamente Bong Soon é exatamente como qualquer outra protagonista de dorama, baixa estatura, roupas fofas e aparência frágil – por dentro a história é outra. Dona de uma personalidade forte, Bong Soon não leva nem desaforo nem ordens pra casa – ela sempre faz as coisas que quer, não interessa se o interesse romântico tenta impedi-la.

Essa aparência externa reflete um dos temas do dorama, o ideal feminino predominante na Coréia do Sul. Capaz de torcer canos, arremessar carros e parar um ônibus em movimento, Bong Soon não possui a delicadeza nem a personalidade domesticável do padrão feminino nos doramas, ela também não precisa ser protegida. Todas essas questões aparecem na maneira como Bong Soon tenta esconder seus poderes. Apesar de haver uma preocupação real da família de que, caso pessoas ruins descubram os poderes de Bong Soon, ela possa ficar em perigo, a jovem está mais preocupada com o fato de não se encaixar no padrão ideal de seu crush desde a adolescência, o policial Do Bong-Ki (Ji Soon).

A história começa quando Bong Soon se depara com um motorista de ônibus escolar sedo espancado por uma gangue, em frente ao ônibus cheio de crianças. Ela tenta resolver tudo de maneira amigável, mas acaba tendo que resolver tudo no punho mesmo. É neste momento que An Min-Hyuk (Park Hyung-sik) aparece, testemunha toda a força de Bong Soon em ação e, mais tarde, acaba ajudando Bong Soon à proteger a sua identidade na delegacia.

Impressionado com o que viu, An Min, que é CEO de uma empresa de games e vêem recebendo ameaças, convence Bong Soon à trabalhar como sua segurança particular. O relacionamento dos dois é engraçadíssimo e consegue reverter clichês padrões de doramas. É ele que precisa de proteção, ao invés de julgá-la e menospreza-la, An Min acha a força de Bong Soon inspiradora, ele não só a admira como também a incentiva.

A trama de Strong Woman gira ao redor de uma série de sequestros de jovens mulheres. Bong Soon sente o chamado para socorrê-las e parar o maníaco, mas sua insegurança e o medo de ser descoberta acabam a paralisando. Sabendo da vontade de Bong Soon, An Min se propõe a ajudá-la não só a aprender a controlar o seu poder, mas também a usá-lo de maneira mais eficaz.

Strong Woman tem um dos poucos personagens homossexuais que eu já vi em Doramas. Apesar de ter falas, personalidade e até mesmo um certo desenvolvimento, Oh Dol-Byung (Kim Won-Hae) cai em todos os clichês negativos de representação. Dá pra fechar um bingo.

As mulheres em Strong Woman são todas diferentes uma das outras. A mãe de Bong Soon, por exemplo, perdeu os poderes por tirar dinheiro dos colegas de colégio no recreio. É muito difícil ver um leque de mulheres com personalidades diferentes em tela. O relacionamento de Bong Soon e sua mãe é cheio de altos e baixos, até porque a sua mãe é uma figura bastante tóxica. Ainda assim eu gosto do modo como as coisas se desenvolvem entre as duas.

Se você está procurando um Dorama com todos os elementos clássicos, com ação, que consiga inverter clichês e que tenha uma protagonista feminina ativa e bem desenvolvida – corra para Strong Woman Do Bong Soon. Assista os 16 episódios e depois volte aqui para a parte II do texto, que vai ser cheia de spoilers! 😉

 

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