Aviso: utilizamos os termos Queer e gay porque é assim que as pessoas envolvidas na história se definiram. 

Fim de ano é uma época em que os nossos corações ficam mais apertados, 2016 não foi assim o melhor ano para muita gente, então é nessa época que histórias como a de Mary, uma atendente de Comic Shop americana que de acordo com o seu twitter é super duper gay, nos ajudam a recuperar a esperança pra mais um ano de discussão e luta. Essa história rodou as redes algumas semanas atrás, mas ela é tão amorzinho que resolvemos contar também.

Atenção: spoilers para a segunda temporada de Supergirl!

 

Na segunda temporada de Supergirl Alex Denvers, a irmã humana de Kara, saiu do armário e assumiu um relacionamento com a policial Maggie. O arco, construído com cuidado, gerou críticas positivas e um grande buzz no fandom, tornando o ship #Sanvers (Sawyer+Denvers) parte do cânone da série. Ele também ajudou a salvar uma vida.

Mary contou a história de como Supergirl ajudou uma menina adolescente em um thread no seu twitter:

Depois da tradicional loucura de sábado, uma garota adolescente entra na loja. Ela parece assustada e quando eu a comprimento ela pula.

Ela começa a andar pra cima e pra baixo nos lançamentos e a coitada parece completamente perdida.

Então eu vou até ela e pergunto se eu possa ajuda-la com alguma coisa. Ela silenciosamente admite que estava procurando por Supergirl. Enquanto nós caminhamos para área do Super eu pergunto se ela assiste ao programa. Ela sorri um pouco e acena que sim com a cabeça. Diz que a Alex é a sua personagem favorita.

Eu menciono que sou uma grande #Sanvers (Maggie e Alex) shipper e a coitadinha começa a chorar. Eu tento entender o que diabos eu fiz para chateá-la. Ela está chorando e eu estou pirando.

Depois de mais ou menos um minuto, tudo faz sentido. Eu estou olhando para um bebê gay. Uma bebê que está tendo muitos problemas.

Eu digo que pra mim também foi difícil quando eu me assumi. Ela finalmente para de chorar e pergunta se fica mais fácil. Nós sentamos na parte do café e conversamos por um tempo. Ela me diz que depois ver no tumblr ela maratonou Supergirl.

E quando ela chegou no arco em que Alex se assume, foi aí que bateu nela.

Ela me diz que ela só queria se matar, por muito tempo, e que ela tinha tentando mas que só a deixou enjoada. Mas enquanto o arco de Alex continuava, ela disse, ela se dava conta que ela começa a ver que podia ser feliz, que podia ser amada. Ela não queria mais morrer.

Pela primeira vez ela não queria morrer, porque ela viu Alex sendo incrível e sendo queer.

Ela disse que ela veio para a loja esperando encontrar alguma coisa para que ela pudesse aguentar o hiato, para que ela não caísse novamente na depressão. Ela disse que não tinha idéia que personagens de quadrinhos gays existiam, mas queria tentar. Eu falo sobre Batwoman, Midnighter e Renee Montoya.

Eu puxo o meu kit para iniciantes, que são Batwoman: Elegy, Midnighter e Gotham Central. Eu também encontro uma cópia de The Adventures of Supergirl, só para ela aguentar. Lol.

Ela tinha dinheiro o suficiente para uma, e estava dividida em qual levar. Ela tinha decidido ba Batwoman e perguntou se eu poderia segurar o resto por um tempo.

Eu estava tendo uma crise pessoal no momento, porque essa menina era eu anos trás. Eu mal conseguia segurar o choro. Acabei comprando as outras três para ela, e a fiz prometer que em dez anos ela vai ajudar outra menina queer.

Então, estou com 60 dólares a menos, e eu chorei no banheiro por uma hora, mas valeu muito a pena.

A gente fala e re-fala e repete e re-repete: representatividade importa. Importa porque ajuda a normalizar vivências que nem deveriam precisar ser normalizadas, mas que porque ainda vivemos em uma sociedade homofóbica ainda existe a necessidade. 

Representatividade importa porque a televisão, os quadrinhos e o cinema tem a capacidade de acolher e criar comunidades de suporte para pessoas como essa adolescentes, que se sentem sozinhas e perdidas, que não sabem que podem encontrar apoio na arte.

Representatividade importa porque nós somos muitos e somos diversos. Nossa sociedade é muito mais do que o padrão heteronormativo que tentam martelar nas nossas cabeças desde pequenas. Um padrão que causa dramas pessoais como os dessa adolescente, que a faz achar que não existe lugar entre nós para ela.

Em 2017 Supergirl continua, e eu espero que continue também a chutar a bunda desse padrão heteronormativo e ajude a acolher ainda mais adolescentes perdidas, que vejam em Alex e Maggie elas mesmas, que saibam que são amadas e que podem ser felizes.

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