Atenção! O texto a seguir contém: Sarcasmo.

 

É mais um dia normal na vida de um gamer. Tudo preparado: já cumpriu com louvor seu horário de trabalho, deu uma pausa nos estudos, se alimentou, está tudo pronto. É hora de logar no seu jogo preferido e se dedicar às suas merecidas horas de lazer fazendo o que mais gosta.

Enquanto o time se forma, equilibrado, a expectativa de vitória fica cada vez mais alta. Até que aparece ela, a líder. Mulher.

Já estamos cansados de saber – mas nunca cansados de frisar – que mais de 52% do total de jogadores de videogames no Brasil se identificam com o gênero feminino. Segundo a lógica da estatística, mulheres deveriam representar no mínimo a metade das posições de líder de grupos em jogos online, certo? E isso não deveria ser um problema, certo? Mas é um problema, e daqueles bem complexos.

Temos na comunidade brasileira de jogos eletrônicos, com destaque especial à comunidade de jogos online, um estado de predominância de discursos patriarcais e misóginos. A intensidade com que a cultura do “espaço masculino” se apresenta é tão grande que se apaga a presença feminina e tira-se das mulheres qualquer tipo de autoridade sobre o universo em si e os elementos que o compõe. Como consequência do apagamento e da perda da autoridade é que surge o tal espanto: “Tem uma mulher liderando meu time!”.

Mas por que isso tudo acontece? Para tentar entender os processos de exclusão dentro de comunidades específicas, podemos procurar condições semelhantes em comunidades maiores e mais abrangentes. De acordo com a International Business Report (IBR) – Women in Business publicada em 2016, apenas 19% de todos os cargos de alto escalão do Brasil são ocupados por mulheres. A média global é melhor, mas está longe de ser satisfatória: atinge apenas os 24%.

Se somos uma sociedade que não é capaz de aceitar ser liderada por mulheres no mundo corporativo, é claro que seria impossível aceitar a mesma situação em um ambiente de entretenimento, muito mais pessoal.

Levando em consideração a extrema dificuldade em considerar legítima a autoridade de uma mulher, seja na vida real, seja nos jogos de videogame, preparamos um pequeno guia para ajudar você, jogador, a saber o que fazer quando o dia de ser liderado por uma garota chegar.

– Não entre em pânico. Pode parecer estranho, mas, assim como você trabalha, estuda e tem seu personagem level 392 full epic com 4900 horas jogadas, essa mulher pode ter tido exatamente a mesma trajetória. Não queremos assustar ninguém, mas pode ser até que ela jogue melhor que você.

– Pare de supor incompetência. Existem poucos momentos tão desagradáveis na vida quanto aqueles em que julgam sua habilidade em algo com base no gênero. Talvez você não entenda o que é isso, caso seja um homem cis. Mas acredite: é bem incômodo.

– A hierarquia existe por um motivo. Toda equipe precisa de liderança, tentar disputar espaço com essa liderança só prova duas coisas: que você é chato e que você não entende nada de trabalho em equipe.

– Líder mulher não é troféu. E também não é bônus de dificuldade. Se você terminou a partida com vontade de soltar um “ganhamos! E foi a fulana que liderou!”, pare. Pare. Agora.

Faça o seu trabalho. Só o seu. Quantas vezes você já questionou um líder homem? Poucas, certo? Então por que essa é a primeira coisa que você quer fazer quando descobre que a liderança é de uma mulher?

Não seja um covarde. Se permita compartilhar o momento de diversão com mulheres. Permita que mulheres tenham espaço, tenham voz e não tenham sua autoridade e presença negadas nos ambientes multiplayer. Faça a diferença e dê suporte, incentive e respeite lideranças femininas.

 

MAS E SE ELA FOR FEMINISTA???


Bom, para esse caso vou deixar esse texto sensacional da Glainá Boucinha para vocês. O tema é outro, mas com a reflexão correta vocês vão ver que não tem nada a temer.

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