Aqui no Colant, toda vez que eu escrevo sobre algum tema mais “polêmico” dentro da indústria cultura, seja ela pop ou não, chego a ficar repetitiva quando falo que como criadores de conteúdo roteiristas, escritores, diretores, músicos e todos mais devem estar cientes de qual mensagem o seu produto está passando para o receptor dele. Você, como indivíduo, pode não ter a intenção de disseminar um tipo de discurso ou comportamento e ainda sim o fazer. Eu não estou dizendo que video-games deixam pessoas violentas, não, mas dependendo do modo como eles utilizam a violência, eles podem contribuir para a manutenção de padrões de comportamento nocivos. Sou super a favor de filmes de ação, adoro uma boa explosão e uma shotgun tanto quanto o cara sentado ao meu lado no cinema, mas sempre acho o filme melhor quando algum tipo de questionamento é levantado.
O que o Bolsonaro tem a ver com isso?
Essa semana, como tantos amigos meus disseram pelo facebook/twitter da vida, foi uma semana ruim para se saber ler. Minha timeline foi invadida por relatos, opiniões e artigos falando sobre o episódio em que Bolsonaro ameaçou todas as mulheres através da deputada Maria do Rosário. Ao afirmar que só não a estupraria, porque ela não merece, Bolsonaro, do alto de sua ignorância facista, não só atacou uma mulher como diminuiu a dor de dezenas de milhares de mulheres brasileiras que sofreram e sofrem com o estupro e, de quebra, espalhou pela boca daqueles que seguem Bolsonaro como carneiros seguem um lobo em pele de cordeiro, uma das piores mentiras da nossa sociedade: algumas mulheres merecem ser estupradas.
Bolsonaro desrespeita e ameaça as 50.000 mulheres que são estupradas por ano no Brasil ao tornar a violação do corpo feminino um prêmio, como se ser estuprada por ele - ou qualquer outro homem - fosse um presente. Em apoio ao desparate violento do deputado, seus seguidores começaram a se prontificar com argumentos que variavam de “ela provocou” à, pasmem, “ele falou isso porque nenhuma mulher merece” - oi? E, óbvio, tudo culminou quando alguns resolveram espalhar pela internet fotos suas segurando plaquinhas em que não só o apoiavam, como faziam piada e ameaçavam a deputada.
A lógica nesse comportamento, é a mesma da que falo lá em cima - com duas diferença: Bolsonaro tem a intenção de disseminar ódio e a reação ao seu discurso é imediata. Um cara não joga GTA5, vira para o lado e bate na namorada instantaneamente (eu pelo menos gosto de pensar que não), mas Bolsonaro não é um video-game, ele é um dos ícones do facismo brasileiro, do discurso de ódio que tenta se esconder sob o manto da “opinião”. Homofóbico, racista, misógino, um ególatra que possui porte de arma, um lugar na câmara dos deputados e acesso às redes de comunicação. Bolsonaro  quer mais do que pregar um modelo de vida, defender os erros dos militares antes dele, odiar qualquer um que não concorde com ele, Bolsonaro quer o show e, através desse seu deslumbre pela fama, espalha e fortifica ainda mais o seu ódio sem sentido.
Bolsonaro respira ar e expira ódio, as primeiras faíscas já começaram a sair, é só questão de tempo até um desses imbecis seguidores acenderem um fósforo e queimarem quem quer que não se encaixe dentro da moral fantasiosa de seu messias. Bolsonaro é doença, é peste e precisa ser parado.
Misoginia, homofobia, transfobia, racismo e qualquer outro tipo de opressão não passarão.